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18 de junho de 2019

DIFERENÇAS ENTRE SEITA E IGREJA



 
Seita
Igreja
Aspecto Sociológico:
Aspecto Sociológico:
1.Movimento religioso de minorias.
2. Centralizada em torno de um líder carismático e de uma doutrina.
3. A relação com a sociedade é de ruptura, de desconfiança.
4. Seletiva.
5. Especializada em setores de classes e/ou populações.
6. O ingresso é voluntário.
7. Audácia, sentido de heroicidade.
8. Símbolos externos como identificadores do fiel (ex.: vestimenta, aspecto físico). 
1.       Movimento religioso geralmente de maiorias.
2.       Centrada numa doutrina.
3.       Compromete-se com a sociedade buscando servi-la, melhora-la.
4.       Universalista.
5.       Promove a utopia da sociedade sem classes (todos iguais em seu interior).
6.       Ingresso involuntário (ex.: batismo de crianças) e voluntário.
7.       Pertencer a ela torna-se algo tradicional.
8.       Geralmente não há mostras externas.

Aspecto Teológico:
Aspecto Teológico:
1.  Fé e salvação somente existem em seu interior.
2.  Fé coletiva.
3.  O contato com a divindade é exclusividade dela e de seus adeptos.
4.       Recompensas claras e próximas.
1.       Comunica a fé e a salvação, mas não as tem em seu poder.
2.       Fé individual.
3.       O contato com a divindade é extensivo, universal. É uma possibilidade extensiva a todos.
4.       Recompensas simbólicas futuras e não definidas.

Aspecto Eclesiástico:
Aspecto Eclesiástico:
1.       Comunidade, refúgio contra o mundo (a graça reside na instituição).
2.       Não há fiéis fora do grupo institucional.
3.       Invade toda a vida do fiel, é controladora.
4.       Proselitismo intenso.
1.       Comunidade, meio de serviço ao mundo (dispenseira da graça).
2.       A distância institucional não prejudica a fé dos fiéis.
3.       Embora a fé seja totalizadora, a vida cotidiana do fiel não é controlada pela instituição.
4.       Passividade proselitista.

Aspecto Litúrgico:
Aspecto Litúrgico:
1.       Cerimoniais herméticos, somente para iniciados.

1.       Liturgias abertas, evidentes, não secretas.

Aspecto Doutrinário:
Aspecto Doutrinário:
1.       Somente ela proclama a verdade.
2.       Doutrinas simples e claras.
3.       Discurso especializado por setores sociais de interesse.
1.       A verdade transcende a instituição e pode expressar-se fora dela.
2.       Doutrinas elaboradas e complexas.
3.       Discurso de âmbito universal.

Aspecto Econômico:
Aspecto Econômico:
1.       Bens e dinheiro do fiel são para a seita.

1.       Apoio econômico à igreja como ato voluntário do fiel (dízimos, ofertas e primícias).


25 de junho de 2012

A NATUREZA DO ESPIRITO SANTO:


 A NATUREZA DO ESPIRITO SANTO:

A) A Personalidade do Espirito Santo: O Espirito Santo é uma Pessoa, distinta do Pai e do Filho, e não uma mera influência ou operação divina, e portanto dotado de intelecto, emoção, autoconsciência e autodeterminação.

1) Pronomes Pessoais Masculinos: Estes pronomes são aplicados ao Espirito Santo (Jo.15:26;16:7,8,13,14), muito embora o vocábulo grego Pneuma seja substantivo neutro.

2) Substantivo Masculino: O termo masculino Paraklito é aplicado ao Espirito Santo (Jo.14:16,17) como sendo outro (allon) Consolador igual a Cristo.

3) Características Pessoais:

a) Inteligência (ICo.2:10,11; Rm.8:27).

b) Vontade (ICo.12:11).

c) Amor (Rm.15:30).

d) Bondade (Ne.9:20).

e) Tristeza (Ef.4:30; Is.63:10).

4) Atos Pessoais:

a) Ele perscruta (ICo.2:10).

b) Ele fala (Ap.2:7; Gl.4:6; Jo.15:26).

c) Ele intercede (Rm.8:26).

d) Ele ensina (Jo.14:26).

e) Ele guia (Jo.16:12-14; Ne.9:20).

f) Ele chama (At.13:2;20:28).

B) A Divindade do Espirito Santo: O Espirito Santo é coeterno e consubstancial com o Pai e o Filho.

1) Nomes Divinos:

a) Deus (At.5:3,4).

b) Senhor (IICo.3:18).

2) Atributos Divinos:

a) Eternidade (Hb.9:14).

b) Onipresença (Sl.139:7-10).

c) Onipotência (Lc.1:35).

d) Onisciência (ICo.2:10,11).

II. A OBRA DO ESPIRITO SANTO:

A) Em relação ao universo material: Ele participou da obra da criação (Sl.33:6; Jó 33:4;104:29,30).

B) Em relação aos homens não regenerados:

1) Luta (Gn.6:3).

2) Testifica (Jo.15:26; At.5:32).

3) Convence (Jo.16:8-11).

C) Em relação aos crentes:

1) Regenera (Jo.3:3-6;6:63; Tt.3:5; ICo.2:4;3:6).

2) Batiza (Jo.1:32-34; ICo.12:13; At.1:5).

3) Habita (ICo.3:16;6:15-19; Rm.8:9).

4) Sela (Ef.1:13,14;4:30).

5) Testifica (Rm.8:14,16).

6) Fortalece (Ef.3:16).

7) Enche (Ef.5:18-20).

8) Liberta (Rm.8:2).

9) Guia (Rm.8:14; At.8:27-29;13:2,4).

10) Ilumina (ICo.2:12,14).

11) Instrui (Jo.16:13,14).

12) Capacita (ITs.1:5; At.1:8; ICo.2:1-5).

13) Produz Frutos (Gl.5:22,23; Fp.3:3; At.2:11).

14) Intercede (Rm.8:26; Jd.20).

D) Em relação a Cristo:

1) Concebido pelo Espirito Santo (Lc.1:35).

2) Ungido pelo Espirito Santo (At.10:38; Is.11:2;61:1;
Lc.4:14,18; Mt.12:17,18).

3) Guiado pelo Espirito Santo (Mt.4:1).

4) Cheio do Espirito Santo (Lc.4:1; Jo.3:34).

5) Ministério (Lc.4:14,18,19; Is.61:1).

6) Sacrifício (Hb.9:14).

7) Ressureição (Rm.8:11; Rm.1:4).

8) Deu mandamentos pelo Espirito Santo (At.1:1,2).

E) Em relação as Escrituras:

1) É o Seu Autor (IIPe.1:20,21; IITm.3:16; IIPe.3:15,16; Jo.16:13).

2) É o Seu Intérprete (Ef.1:17; ICo.2:9-14; Jo.16:14-16
IIPe.1:20,21; IJo.2:20,27). 

SACRAMENTOS E CLERICALISMO




    

   Minha metodologia não consistirá em construir uma teologia em cima de   rumos históricos-sociais que por acaso a igreja venha a tomar devido a   multiforme coloração do fenômeno social universal através da história, pois   se assim procedermos teremos uma Bíblia para cada época da história da   humanidade, e seu conteúdo será determinado pela inconstante e turbulenta
   mutação do fenômeno humano sobre a terra, além do mais não teremos   nenhum instrumento aferidor da própria teologia recém formulada porque   até mesmo tal instrumento estará superado em algum ponto da história.

   Meu procedimento metodológico será adotar confessionalmente as    Sagradas Escrituras, a partir de sua exegese, considerando que ela seja   imutável em seus princípios espirituais que governam a igreja de Cristo   desde o início da expansão do evangelho aos gentios e dos princípios que
   governam uma igreja característicamente judaico-gentílica.

   Portanto nosso paradigma será sempre a revelação de Deus em Sua   Palavra.

   O que normalmente tem sido proposto, como resultado da repulsa por um   certo clericalismo na maneira como a teologia reformada tem apresentado a   doutrina da ministração dos sacramentos na igreja moderna é que tais   sacramentos não deveriam ser exclusividade de ministros ou presidentes
   ecelsiásticos, mas que este ato estivesse aberto aos crentes de maneira   geral na vida da igreja. Isto, de certa forma, evitaria qualquer forma de   clericalismo ou exclusivismos por parte daqueles que os ministram.

   Passemos a uma análise do que isto significaria biblicamente, logicamente, e   historicamente para a vida da igreja hoje.

    

   UMA OBJEÇÃO INTERESSANTE

   Um dos argumentos levantado para a ampliação da ministração dos   sacramentos, dando oportunidade à outras pessoas que não são ministros   devidamente ordenados é o texto de Mt 18:18-20. Então, argumenta-se,   que se Jesus ordenou aos seus discípulos, ou seja, a todos os seus
   seguidores que haviam crido nele, conclui-se que esta ordem é   normalmente para os seguidores de Jesus e não especificamente para o   "clero".

   Respondendo a este argumento, afirmo que há uma uma grande diferença   entre os chamados "irmãos comuns" da atual igreja em debate e os   discípulos que conviveram com Jesus. Aqueles discípulos não eram crentes   comuns ou equivalentes a qualquer crente de nossa época. Quando eles
   foram chamados e comissionados para a ministração do batismo, a partir   daquele momento eles não eram mais "irmãos comuns", e sim apóstolos,   evangelistas e oficiais divinamente comissionados por Jesus. Quem hoje é   comissionado daquela maneira? Sabemos com certeza que quando alguém   se levanta afirmando tal coisa, logo cai em descrédito com credenciais de
   falso profeta.

   Aqueles crentes foram chamados e comissionados extraordináriamente,   enquanto que hoje nós somos chamados ordináriamente. O chamado   extraordinário não existe mais.

   A continuidade daqueles ministérios é feita hoje de maneira ordinária   através de evidências externas confirmadas pela igreja.

   Isso indica que se lá teve que haver um comissionamento por Cristo, por   Deus, pelos apóstolos, e mais tarde pela igreja, e isto de maneira   extraordinária, então hoje, a ministração dos sacramentos deve obedecer   sempre a um comissionamento ordinário feito pela igreja.

   Não há um só texto nas Escrituras que nos ensine que pessoas não   comissionadas ministravam os sacramentos. Vejamos alguns supostos  exemplos:

    

   SACRAMENTO DO BATISMO

   FILIPE - Diz-se normalmente que Filipe não recebeu qualquer encargo especial para ministrar o batismo do eunuco de Candace, no entanto o fez
   como um leigo.

   Primeiro, a idéia de um encargo para ministrar batismo é algo da nossa época, não da era apostólica. Os que batizavam lá eram comissionados diretamente por Deus, não importando se eram apóstolos ou não. Aliás, as Escrituras não afirmam que só os apóstolos batizavam, mas só os que eram
   comissionados extraordianriamente por Deus, ou eram indicados pelos apóstolos, aos quais foi dado poder para comissionar também. Uma prova disto é que Barnabé também é chamado de apóstolo juntamente com Paulo, e Lucas em seu registro, não tem nenhum cuidado em explicar que tipo de apóstolo ele era. Filipe foi comissionado por Deus ( Atos 8:26, 39): O anjo do Senhor o chamou e enviou, logo a seguir o Espírito o arrebatou. Eis o seu comissionamento para tal. Não é sábio reivindicar um comissionamento para qualquer crente moderno tendo por base o comissionamento da era apostólica. São duas coisas muito diferentes. Devemos acrescenar que Filipe também era diácono eleito da igreja

   ANANIAS - Ananias é outro discípulo comissionado direto pelo Senhor para curar e batizar a Paulo. Ele não era um crente sem comissionamento no meio da multidão que batizava, mas alguém escolhido e chamado por Deus para tal missão, (At 9:10-11,15).

   A CASA DE CORNÉLIO - É bem verdade que Pedro estava presente ali, bem como o texto nada afirma que outras pessoas estivessem batizando alí.

   ZÍPORA - Quando circuncidou seu filho (Ex 4:25). Sobre ela devemos entender que isto é um exemplo isolado e foi realizado por uma mulher de um temperamento violento e num momento de ira, o que não deve ser imitado pelos crentes.

    

   O SACRAMENTO DA SANTA CEIA

   O MODELO PATRIARCAL DE ISRAEL - Argumenta-se que Israel celebrava a páscoa nos lares e os ministrantes eram os pais das famílias, e quando Jesus ordenou que continuassem com o sacramento certamente eles continuaram com a mesma prática.

   Este argumento sofre de uma falta de informação teológica muito séria. Israel, desde a instituição da páscoa vivia debaixo de uma teocracia, e que foi nessa época que Deus ordenou a celebração pascoal às famílias. Mas isso era um preceito somente para Israel como o povo exclusivo da
   revelação e sob a teocracia todas as famílias de Israel foram comissionadas para a ministração dos sacramentos do Velho Testamento( a circuncisão e o cordeiro pascoal). Certamente o costume judaico não foi continuado pelos cristãos da igreja apostólica pelos seguintes motivos:

   1) Em Israel predominava a religião da família. Todos sem exceção eram judeus nascidos, ensinados e praticantes na religião revelada. No Novo Testamento esse conceito de religião em família é praticamente esfacelado  quando todas as nações são chamadas. Não são famílias que se convertem
   com a pregação apostólica, mas sim indivíduos. Assim, dificilmente haveria uma instituição do sacramento para ser celebrado em famílias porque somente alguns se convertiam dentro das famílias gentílicas, o que até hoje podemos constatar em nossas igrejas. I Coríntios trata de problemas na
   igreja que nascem exatamente desse alargamento da religião revelada somente aos judeus em direção aos gentios: esposas crentes e maridos incrédulos, maridos crentes e esposas incrédulas (I Co 7). É impossível falar-se de sacramento em famílias no Novo Testamento ao estilo do Velho  Testamento. Certamente este modelo era incapaz de ser continuado a partir de Pentecostes.

   2) A Santa Ceia tem aspectos característicos da Nova Aliança. A páscoa  era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento. Certamente que a páscoa era o sacramento familiar, daquela família com exclusividade, mas a
   santa ceia é o sacramento de todas as famílias juntas ao mesmo tempo. Não existe mais aquela exclusividade de Isarel como o povo da promessa, o que era também explicitado pela maneira como eram administrados os sacramentos. Tanto o batismo quanto a santa ceia assinalam para um
   alargamento da religião de Israel. Certamente a páscoa não foi continuada e sim a ceia, com celebração característica da nova aliança. Dizer quequalquer pessoa na igreja podia ministrar a santa ceia com base na continuidade do modelo pascoal do Velho Testamento é conjecturar  teologicamente.

   O GRANDE NÚMERO DOS CONVERSOS - Este argumento consiste em dizer que o número de cristãos depois de pentecostes era muito grande para se reunir nos lares e ter os apóstolos sempre com eles. Portanto, certamente que os próprios crentes faziam a celebração daquele sacramento.

   A isto respondo que durante aquela época os apóstolos não estavam ainda em missões intinerantes. Eles estavam com o povo todo tempo ensinando-os, até que fossem eleitos os diáconos para auxiliar em tarefas menores que o povo poderia estar fazendo, mas até isso eles achavam que era da alçada dos apóstolos (At 6:1-7). Não duvido que alguém, além dos apóstolos tenha ministrado a ceia naqueles dias, mas certamente se o fez, foi sob comissão extraordinariamente direta de Deus ou comissionados
   pelos apóstolos. Mas a verdade é que ninguém poderia ocupar uma função tão importante sem uma comissão.

   Se celebrar a santa ceia e o batismo fosse algo como ser presidente da UPA ou UMP, ou ser regente de um coral, ou qualquer outra função na igreja que qualquer pessoa poderia desempenhar, então estes sacramentos não deveriam ter um lugar tão especial e tão restrito à pessoas  comissionadas e com credenciais divinas de seus chamados. Dessa maneira os sacramentos não deveriam ser ministrado apenas por gente tão bem escolhida. Como posso imaginar que Filipe e Ananias eram crentes comuns se eles participaram da história da salvação?

    

   SERIA POSSÍVEL MINISTRAR OS SACRAMENTOS SEM UMA SUPOSTA FORMA DE CLERICALISMO NA IGREJA MODERNA?

   Os sacramentos sempre são tratados nas Escrituras como sendo algo minitrado apenas por pessoas comissionadas. Não está claro nas páginas do Novo Testamento que eles eram ministrados por qualquer um. A igreja hoje, se guia exatamente por este princípio, entendendo que hoje  permanece aquele aspecto ordinário daqueles dons e comissões dados aos apóstolos e cristãos do primeiro século (John Owen). Portanto, se eles lá eram comissionados para tal função pela voz do Pai, do Filho e do Espírito, aqui nós somos comissionados pela vocação da Palavra de Deusconfirmada e realizada visívelmente pela igreja. Como geralmente se diz que as Escrituras em nenhum lugar afirma que os sacramentos são privacidade dos pastores, deve-se salientar também que em nenhum lugar elas dizem que pessoas sem serem comissionadas devam ministrar-lhes.

   No livro de Atos percebemos que a igreja caminhou rumo a uma certa organização que exigia a eleição de determinadas pessoas para  determinadas funções. Em todas as áreas de vida e governo da igreja as pessoas não estavam num dispositivo tal que qualquer pessoa pudesse assumir o lugar da outra dentro do organismo eclesiástico. A primeira prova disto é que os dons são dados distintamente a cada um. A segunda prova é que a igreja do Novo Testamento sempre foi conduzida por um
   certo tipo de "clericalismo" apostólico e profético, sem falar no sacerdote, levita e profeta do Velho Testamento. Só eles eram apóstolos e profetas. O  círculo estava fechado. Ninguém mais podia entrar. Dons e funções eram exclusivos deles e de mais ninguém. A igreja sempre conviveu com uma forma de controle de sua própria vida organizacional.

   Uma das razões porque os sacramentos são exclusividades dos ministros é devido ao abuso que inevitavelmente nós chegaríamos. Se a igreja deve abrir para outras pessoas ministrarem os sacramentos, certamente que ela não permitirá qualquer um fazer isso quando bem entender. Logo fará uma escolha de alguém que seja capaz para tal função, e mesmo que essa pessoa não seja capacitada para isto, ainda assim a igreja proverá um meio de torná-la capaz para essa tarefa. Mas se ela escolhe e treina, capacitando-a acima dos outros congregados, não estaria ela fazendo já
   assim uma distinção clerical entre estes "distintos" e os demais "irmãos comuns" e incapacitados? Depois da escolha e do treinamento,  inevitavelmente, os "leigos" deixaram de ser "leigos" para serem "clérigos", pois agora constituem uma classe distinta e especial para um fim especial.

   Não é assim mesmo que já procedemos a tanto tempo dando-lhes os nomes de "pastores" ou "ministros"? Não foram elas, pessoas incapacitadas que foram escolhidas e treinadas dentre a multidão?
   Uma prova do que estamos dizendo é que na história da igreja, logo em seguida à era apostólica, a igreja sempre conservou uma mentalidade de centralidade episcopal na ministração dos sacramentos. Isto não significava que somente o bispo celebrava, mas também alguém comissionado pelo
   bispo. Vejamos uma evidência bem perto da era apostólica:

   INÁCIO DE ANTIOQUIA ( c. 110)

   "Ninguém ouse fazer sem o bispo coisa alguma concernente à igreja. Como válida só se tenha a eucaristia celebrada sob a presidência do bispo ou de um delegado seu.(...) Sem a união do bispo não é lícito batizar nem celebrar a eucaristia; só o que tiver sua aprovação será do agrado de Deus
   e assim será firme e seguro o que fizerdes." (Carta aos Esmirnenses)

   Esta mesma idéia é citada por Latourette, em sua História del Cristianismo citando TERTULIANO (c. 220), quando o mesmo orienta a igreja sobre o  batismo, afirmando que este sacramento deveria ser ministrado por um  diácono ou leigo, mas que fossem indicados pelo bispo.

   É correto afirmar que a igreja, desde o início de sua história, sempre teve  pessoas que não fossem apóstolos ou bispos, ou pastores ministrando os sacramentos. O erro, porém, está em afirmar que essas pessoas fossem qualquer um, sem distinção nem comissão. Está claro pelos documentos da
   igreja cristã que os únicos que participavam da ministração dos sacramentos eram pessoas de inteira confiança do bispo, as quais tinham sido escolhidas, treinadas e comissionadas. De qualquer forma, até mesmo de maneira involuntária, essas pessoas terminavam constituindo um certo
   tipo de "clero auxiliar" ou "clero substituto", pois jamais seriam confundidos com qualquer um dentro da igreja para tão sublime função. Parece-me que esse seria o procedimento mais correto da igreja ainda nos dias de hoje, a não ser que mudemos completamente a teologia dos sacramentos.

    

   Creio que a única maneira de evitar-se um tipo de "clericalismo" na igreja em relação à ministração dos sacramentos seria abrir para que todos, sem nenhuma exceção, pudesse ocupar o lugar de qualquer outra pessoa dentro da igreja sem nenhuma distinção. Isto certamente é impossível. Portanto o
   ideal de tornar a ministração dos sacramentos algo ao alcance de todos sem qualquer forma de "clericalismo" na igreja de hoje, é pura utopia.      

   1. GRUDEM, Wayne, SISTEMATIC THEOLOGY, Zondervan

   2. BRAKEL, Wilhelmus à, THE CHRISTIAN REASONABLE
   SERVICE, Soli Deo Gloria, v.III

   3. HODGE, AA, THE CONFESSION OF FAITH, The Banner of Truth

   4. OWEN, John, THE WORK OF THE SPIRIT, The Banner of Truth

   5. GOMES, C. Folch, ANTOLOGIA DOS SANTOS PADRES, Paulinas

   6. LATOURETTE, HISTÓRIA DEL CRISTIANISMO, Casa Bautista de
   Publicaciones,

    

                                          Rev. Moisés C. Bezerril
                                 professor de Novo Testamento do
                                   Seminário Presbiteriano do Norte

18 de junho de 2012

A SEXUALIDADE À LUZ DA BÍBLIA


 

 
Claudio Lysias

ORIENTAÇÃO PARA UMA VIDA SEXUAL SADIA

I.A ATIVIDADE SEXUAL NA NATUREZA:

Sua finalidade é garantir a manutenção das espécies de seres vivos. É por isso que o impulso sexual é algo tão forte. A energia sexual é seguramente a energia biológica mais poderosa que existe, pois é através dela que nos tornamos parceiros de Deus no processo da Criação. É a única energia natural capaz de gerar Vida (Gn. 1.22,28).

1.O Sexo na espécie humana e nas demais espécies de seres vivos: a diferença está no fato de que o ser humano é o único animal que usa o sexo não só para procriar, mas como fonte de prazer e expressão de amor. Grifamos a conjunção "e" para realçar o fato de que as duas coisas vêm necessariamente juntas: à luz da Palavra de Deus, o sexo apenas como fonte de prazer torna-se pecaminoso, como veremos no decorrer do estudo.

2.O plano de Deus para a sexualidade humana: à luz de Gn. 2.24 e Mt. 19.3-11, compreendemos que o plano de Deus é que o ser humano exerça sua sexualidade no plano de companheirismo entre o homem e a mulher numa parceria de vida, e não só de sexo. Uma união tão completa que torna dois indivíduos de sexos opostos partes de uma unidade que, idealmente, deve ser indissolúvel (ver também I Co. 7.4).
A importância que a Bíblia dá à relação sexual fica clara no texto de I Co. 6.16, onde podemos perceber que o vínculo criado por esse relacionamento é intenso, mesmo quando exercido de modo leviano e irresponsável. A intimidade compartilhada gera uma espécie de compromisso implícito, que a qualquer momento pode surgir na forma de cobranças afetivas ou materiais.

3.Erotismo x pornografia: Há uma diferença básica entre estas duas palavras, embora elas venham sendo usadas hoje em dia praticamente como sinônimos. Erotismo é o conjunto de sensações e impulsos que nos impelem à atividade sexual. Dentro de um relacionamento sexual sadio, os estímulos eróticos, como beijos e carícias, fazem parte do "jogo do amor", e levam a sensações e experiências muito agradáveis. Pornografia, por outro lado, é o mau uso do erotismo, levando a práticas sexuais erradas e pervertidas: o estímulo à prostituição, ao homossexualismo, etc. A confusão de erotismo com pornografia tem levado muitos crentes a deixarem de exercer e aproveitar as práticas eróticas normais, como se o erotismo em si mesmo fosse pecaminoso. Ver I Tm. 4.1-5 e Tt. 1-15. A este respeito, citamos Robinson Cavalcanti em seu livro Libertação e Sexualidade:

"O que pode o ser humano fazer com a sua sexualidade: de forma estável, comprometida e heterossexual (ideal) - o que nem sempre é possível, por fatores interiores ou alheios à vontade (falta de condições, falta de parceiros, etc.); de forma instável, não comprometida ou mecânica com relacionamentos heterossexuais sucessivos e superficiais; de forma homossexual, instável ou estável, o que não é recomendável; de forma isolada pela masturbação. Reprimi-la: violentando a natureza, o que traz conseqüências negativas;  sublimá-la: canalizando a libido para atividade alternativas e compensatórias, de forma temporária ou permanente, quando possível. A culpa é um ponto de encontro entre a Teologia e a Psicologia. A Graça pode ser outro ponto de encontro, que substitui o anterior. A culpa, quanto à sexualidade, tem afetado a saúde mental de milhares de pessoas, inclusive cristãs. De onde, então, pode se originar o sentimento de culpa? do Espírito Santo, quando nos procura convencer "do pecado, da justiça e do juízo", sintonizado com a Palavra e impelindo à Graça, ao perdão e à restauração; do maligno, quando, até usando a Palavra, procura manter as pessoas derrotadas, presas, auto-destruídas; da cultura, das tradições, dos ambientes, que alimentam negativamente o nosso superego.
Devemos, também, procurar distinguir o pecado da mera tentação, pois a tentação é parte do dia-a-dia da humanidade, e o próprio Senhor foi tentado.
A Igreja, como comunidade terapêutica, deve ser ministradora da Graça, visando o perdão e a restauração, visando a construção e a maturidade, visando a santidade e a sanidade, o que implica na aceitação do outro e no exercício do amor. O amor é o maior canal da Graça."

1.Há erotismo na Bíblia? Leia-se Pv. 5.15-20; Ct. 1.2; 4.10,11; 7.9-12. É fácil perceber, por estas passagens, que o erotismo é parte natural e agradável da vida humana, em nada afastando o Homem do seu Criador.
Podemos notar, por esta primeira parte do estudo, que a sexualidade e o erotismo são bênçãos que Deus nos dá, e não pecados em si mesmos. Como, então, a sexualidade pode se tornar um fator de afastamento de Deus? Passamos então a analisar o

II.COMPORTAMENTO SEXUAL FORA DO PLANO DE DEUS

1.Procedimentos "normais" do ponto de vista exclusivamente biológico (ou seja, envolvendo duas pessoas de sexos opostos, numa relação pênis/vagina); podemos analisar dois tipos de situação:
a.Relações sexuais antes do compromisso conjugal: quando o casal ainda não tem condições de maturidade, estabilidade financeira e psicoafetiva, quando ainda não é possível assumir um com o outro o compromisso de parceria de vida, e não só de sexo. Este tipo de situação ocorre:
para adquirir experiência: o jovem ou adolescente acha que precisa aprender antes de comprometer-se com o (a) futuro (a) companheiro (a); por amor, entre namorados. Neste caso, freqüentemente há o compromisso afetivo mas não existem condições de se assumir o compromisso conjugal. O casal sente que "um pertence ao outro", e a atração é muito forte, e sempre muito difícil de resistir.
A Palavra de Deus adverte expressamente contra a prática do ato sexual sem o compromisso conjugal. Ver Dt. 22.20,21,28 e 29. No segundo livro de Samuel, no capítulo 13, há a história de Amnom e Tamar (ambos filhos de Davi, mas de mães diferentes), em que Amnom sente fortíssima atração pela meia-irmã, e a seduz. O relato bíblico diz que "Depois Amnom sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela, que o amor que ele lhe votara". Este é um fato comum: um dos parceiros passa a desprezar o outro (mais freqüentemente o rapaz despreza a moça), e o relacionamento, inicialmente bonito, correto e saudável, dá lugar a tristeza, humilhação e sofrimento.
 Como resistir? A receita bíblica é o autocontrole, fruto do Espírito: I Ts. 4.3-8; I Co. 13.7; Gl. 5.23. Ver também a advertência aos jovens, em Ec. 11.9.

a.Relações sexuais extraconjugais: o adultério.

A Bíblia proíbe expressamente a prática do adultério, sendo esta proibição um dos dez mandamentos (Ex. 20.14). Na lei mosaica, este pecado era punido com a pena de morte (Dt. 22.22-27).
Salomão, no livro dos Provérbios, adverte contra esta prática: Pv. 7.7-23.
É comum o adúltero achar que pode justificar-se argumentando que a atração que sente pela outra  (ou o outro, no caso da mulher) surgiu como uma coisa espontânea, "honesta", até bonita. Isto é uma ilusão. Há no adultério uma dupla deslealdade: para com o cônjuge, que está sendo traído, e para com o companheiro ou companheira clandestina, com quem não se pode assumir nenhum compromisso definitivo, a não ser à custa de romper o vínculo com o parceiro original.
A gravidade do adultério como pecado compreende-se claramente pela importância que Jesus lhe dá: na ótica do Mestre, é a única justificativa aceitável para o processo de divórcio (Mt. 19.9).

b.O incesto, ou relação sexuais entre parentesíntimos, também é expressamente reprovado na  instrução dada por Deus a Moisés (Lv. 18.6-16).  c.Relações sexuais sem amor, sem comprometimento mútuo, pelo simples prazer, ou em troca de dinheiro ou favores especiais (por interesse). No primeiro caso, falamos em fornicação, e no segundo, em prostituição.

2.Desvios ou aberrações do comportamento sexual: já mencionamos acima que a relação sexual normal do ponto de vista biológico envolve duas pessoas de sexos opostos, sexualmente maduras, isto é, cujo organismo está pronto para o ato da procriação. Qualquer relação fora deste padrão já não envolve apenas questões éticas, mas sim condições patológicas: doenças da mente e do espírito. Em Lv. 18.22,23, e Rm. 1.26,27 compreendemos a gravidade deste tipo de comportamento. Conhecemos vários tipos de aberração:


a.Bestialismo ou zoofilia: a prática de relações sexuais com animais.

b.Pedofilia: a atração anormal por crianças ( criaturas ainda não sexualmente maduras).

c.Necrofilia: a prática de relações sexuais com cadáveres.

d.Homossexualismo: o relacionamento sexual com pessoas do mesmo sexo.

e.Sexo anal: a relação sexual com penetração do ânus em vez da vagina. Biologicamente, o ânus é um orifício de saída, não de entrada. O material contido na ampola retal, que é a última parte do intestino e que desemboca no ânus, é cheio de bactérias, cuja presença é normal no local mas nas vias urinárias pode levar ao aparecimento de lesões e infecções às vezes graves. Além disso, é uma relação mais traumática, causando freqüentemente escoriações e fissuras por onde podem entrar microorganismos atingindo a corrente sangüínea e causando doenças como a AIDS.

É interessante a maneira como Robinson Cavalcanti analisa os desvios do comportamento sexual, no livro já citado acima:
"Há um certo consenso na ética cristã de que:

a.por certo Deus destinou o ser humano a buscar a realização sexual com outros seres vivos. A necrofilia, ou atração sexual por cadáveres, fere esse padrão;

b.Deus destinou o ser humano à realização sexual com outro ser da mesma espécie. A zoofilia, ou atração sexual por irracionais, fere esse padrão;

c.Deus destinou o ser humano à realização com o sexo oposto. O homossexualismo, ou atração pelo mesmo sexo, fere esse padrão;

d.Deus destinou o ser humano a se realizar sexualmente por livre manifestação de vontade. O estupro, ou relações sexuais à força, fere esse padrão;

e.Deus destinou o ser humano à realização sexual por amor. A prostituição, ou relação sexual mediante remuneração ou recompensa, fere esse padrão;

f.Deus destinou o ser humano a relacionamentos estáveis, que crescem e se aprofundam. A fornicação, ou relacionamentos sexuais efêmeros e sucessivos, fere esse padrão;

g.Deus destinou o ser humano a relacionamentos na amplitude da espécie. O incesto, ou relacionamento sexual com parentes próximos, fere esse padrão;

h.Deus concebeu a atividade sexual como um ato de comunicação interpessoal. A masturbação, ou auto-realização sexual solitária, quando opção permanente de um egoísmo sexual, fere esse padrão;

i.Deus deixou ao ser humano a incumbência e a capacidade de reprodução da espécie. Ele é a fonte da vida e condena a morte. O aborto, ou destruição do ser enquanto ainda no útero, fere esse padrão;

j.Destinou Deus o ser humano a fazer da atividade sexual um ato construtivo de afeto. O sadismo, ou prazer em fazer sofrer, e o masoquismo, ou prazer no sofrer, com suas agressões e mutilações, fere esse padrão;

k.Destinou Deus o ser humano à integração da sua sexualidade com equilíbrio, dentro de uma pluralidade de atividades e interesses. A lascívia, sexocentrismo, sexomania ou obsessão sexual, fere esse padrão."

Todo desvio de conduta é conseqüência da negação de Deus por parte do ser humano (Rm. 1.21-32).
Em 1 Co. 6.9,10 há uma lista de tipos de pessoas que não podem herdar o reino de Deus: "nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o Reino de Deus".
É claro que isto não significa que não há esperança para os adúlteros, homossexuais, fofoqueiros, furadores de fila, pão-duros, etc. Porém, é uma ilusão perigosa achar que Jesus vai garantir salvação sem conversão. Devemos respeito a essas pessoas enquanto seres humanos, mas não podemos, por exemplo, pedir que Deus abençoe uma união homossexual sob o pretexto de que "é uma relação de amor"(!). Imitando Jesus, devemos amar o pecador, mas não o pecado.
Felizmente, em Jesus há esperança para todas estas pessoas (1 Co. 6.11).
Para terminar o nosso estudo, analisaremos agora a

III.ATITUDE DO CRISTÃO DIANTE DO PECADO E DO PECADOR

1.Atitude errada: o legalismo (Cl. 2.16-23). A postura dos "crentes" tem sido tradicionalmente assim. Estamos sempre prontos a apontar o dedo, a julgar e a condenar, apesar de todas as advertências da Palavra de Deus contra este hábito (Rm. 2.1; Tg. 2.8-13; Lc. 18.9-14).A Igreja tem um Código de Disciplina que tem sido aplicado com extremo rigor e sem misericórdia no caso dos pecados sexuais, e de maneira branda ou mesmo nenhuma no caso de intrigas, fofocas maldosas, atitudes desonestas, etc. Membros têm sido afastados do convívio dos crentes por causa da disciplina mal aplicada. Muitos, por não terem ainda maturidade espiritual, têm se afastado de Deus por confundirem a "justiça" da igreja com a Justiça de Deus.
Não queremos dizer com isto que o Código de Disciplina é supérfluo ou está errado, mas que ele tem sido aplicado de maneira totalmente distante dos propósitos de Deus. Punições como suspensão ou exclusão da comunhão só devem ser aplicadas em casos de membros não arrependidos e reincidentes contumazes apesar das exortações feitas com amor.
A disciplina de Deus está bem exemplificada na história de Davi (2 Sm. 12.1-25). Tendo cometido o duplo crime de adultério e assassinato, Davi é exortado e depois informado que tem o perdão de Deus, mas não pode fugir às conseqüências do seu pecado. E a sua atitude é exemplo para todos nós.

2.A atitude correta:

a.A atitude de Jesus: o episódio da mulher adúltera nos dá o exemplo (Jo. 8.1-11). Ficam claras a Sua misericórdia para com a pecadora, sem tornar-se cúmplice ou conivente com o seu pecado ("Vai, e não peques mais").

b.A "receita" bíblica para a nossa atitude: Gl. 6.1-5).

Encerramos este estudo com uma afirmação de fé: talvez muitos de nós tenhamos em nosso passado algum pecado, de ordem sexual ou não, do qual nos envergonhamos. Mas podemos confiar na promessa de Deus em Sua Palavra: "Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus (1 Co. 6.11).

Que a Graça do Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nós.


*Dados biográficos do autor deste artigo

Meu nome completo é Cláudio Lysias Costa Vieira. Nascido em Casa Branca,SP, em 14 de Fevereiro de 1949, formado em Medicina na UNICAMP em 1974,especializações em Reumatologia e Medicina do Trabalho. Sou filho do Rev.Nephtali Vieira Jr, pastor jubilado e emérito da 1a. Igreja Presbiteriana de Rio Claro. Sou casado com Vera Lúcia Martinez Vieira, fisioterapeuta, e pai da Luciana (22) Marcelo (20) e Fernanda (18), os três cursando faculdade de música. Sou presbítero em disponibilidade na Igreja Presbiteriana do Piracicamirim, em Piracicaba, SP. Sou regente do coro e do conjunto masculino da igreja. 

12 de junho de 2012

O que católicos, protestantes e pentecostais (não) têm em comum

Há uma herança comum entre os crristãos. Entre católicos, protestantes históricos, pentecostais e ultrapentecostais há mais pontos em comum do que distintos. Acabamos por sublinhar as diferenças, mas nos esquecemos de nossas semelhanças.









3 de maio de 2012

Você Ama a Cristo? Thomas Vicent



"A quem não havendo visto, amais." (1Pe 1:8)

Vocês podem saber se de fato são cristãos verdadeiros pelo teste do seu amor por Jesus Cristo. Portanto, examinem-se a si mesmos, se de fato amam a Jesus Cristo a quem nunca viram. A maioria das pessoas no mundo amam verdadeiramente apenas as pessoas e coisas que viram, mas podem vocês dizer que sinceramente e sobretudo amam a Jesus Cristo, a quem não viram? O amor da maioria resulta do conhecimento que o olho fornece do objeto amado, mas resulta o seu amor do conhecimento que os ouvidos têm fornecido pela palavra da amabilidade que há em Cristo?

Pergunta: Como nós podemos saber se de fato temos um amor verdadeiro por Jesus Cristo?

Resposta: Vocês podem conhecer a verdade do seu amor por Jesus Cristo,

primeiro, pelo seus anseios pela presença de Cristo;

segundo pelo seu apreço e freqüência aos meios onde Cristo deve ser encontrado , e em ali buscá-lO;

terceiro pelo seu amor pela imagem (auto-revelação) de Cristo;

quarto, pela obediência aos mandamentos de Cristo.

I. Primeiro, pelo seus anseios pela presença de Cristo.

Onde quer que haja um grande amor por uma pessoa, há um desejo pela presença dessa pessoa. Vocês séria e sinceramente desejam a presença de Cristo? Há duas formas da presença de Cristo: Sua graciosa presença aqui e Sua gloriosa presença no último dia.

1. Há a graciosa presença de Cristo aqui: "não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros" (Jo. 14:18). Vocês desejam que seus amigos e parentes venham para estar com vocês, mas desejam em primeiro lugar que Cristo venha até vocês? Cristo vem aos seus discípulos na forma de uma graciosa comunhão, na forma de uma graciosa manifestação e na forma de uma doce consolação.

a)      Vocês desejam que Cristo venha a vocês na forma de uma graciosa comunhão? São seus desejos que essa comunhão seja uma luz espiritual de Cristo para guiá-los e ensiná-los; de vida espiritual da parte de Cristo para estimulá-los e encorajá-los, de vigor espiritual da parte de Cristo para sustê-los sob fardos e habilitá-los para os seus deveres? Vocês realmente desejam todos os tipos de comunhão e os mais altos níveis de graça da plenitude da graça que está em Cristo?

b)      Vocês desejam que Cristo venha a vocês na forma de uma graciosa manifestação? "Aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me manifestarei a ele"(Jo. 14:21). Vocês realmente desejam o cumprimento dessa promessa a fim de que Cristo revele mais da beleza da Sua pessoa e do amor do Seu coração? Vocês sofrem quando o seu Amado se retira, quando a cortina é fechada, e uma nuvem se interpõe entre vocês e o Sol da Justiça; quando Ele se oculta e encobre a Sua face de vocês? Vocês anelam pelo retorno de Cristo e pelas Suas manifestações?

c)      Vocês desejam que Cristo venha a vocês na forma de uma doce consolação, como resultado dessa comunhão e manifestação? Desejam vocês o óleo de alegria com o qual Cristo é ungido; que Ele lhes desse a unção do Espírito não apenas para santificá-los, mas para confortá-los também? Vocês desejam que os seus corações sejam cheios com alegria espiritual - alegria do Espírito Santo, que é indizível e cheia de glória? Vocês desejam o consolo que Cristo dá mais do que todo o conforto que o mundo e a carne pode oferecer; o consolo que entra pela porta da fé, mais do que qualquer consolo que venha pela porta dos sentidos; essas alegrias que estão em Cristo, mais do que todas as alegrias que podem ser encontrada no mais doce e desejável deleite das criaturas?

2. E vocês desejam também a gloriosa presença de Cristo no último dia? Quando Ele promete: "Certamente venho sem demora", pode o seu coração responder como em Apocalipse 22:20: "Amém. Vem Senhor Jesus"? Você está contente por viver tão perto do fim do mundo, sabendo que o Senhor está próximo, e que sua vinda se aproxima a cada dia? Podem vocês levantar suas cabeças com alegria quando olham em direção ao lugar onde o Senhor Jesus está, a direita do trono da Majestade nas alturas? Podem vocês pensar com paz de espírito que ainda dentro de pouco tempo Aquele que vem virá, e não tardará; que dentro em pouco Cristo descerá dos céus com um brado, ao som da trombeta, e que os seus olhos O verão no esplendor da Sua glória e majestade?
Se alguns de vocês dizem que temem a gloriosa presença de Cristo com receio de que seriam então rejeitados por causa desse temor, vocês não estão prontos nem preparados; mesmo que possam dizer de todo o coração que desejam acima de tudo estar prontos, que esforçam-se para isto e que lamentam por não estar mais prontos. E considerando que estivessem prontos e seguros de seu interesse em Cristo, poderiam dizer que desejariam que Cristo voltasse imediatamente, e que não desejariam maior alegria e felicidade do que viver com Cristo na glória? Podem vocês dizer que contam com a presença de Cristo como a felicidade do céu? Essas são evidências de um verdadeiro desejo pela presença gloriosa de Cristo, e de amor sincero por Cristo.

II. Segundo, vocês podem conhecer seu amor por Cristo pelo seu apreço e freqüência aos meios onde Cristo deve ser encontrado , e em ali buscá-lO.

São esses os meios das suas ordenanças, tanto públicas como particulares, onde Ele pode ser encontrado: vocês obedecem às ordenanças, comparecem às reuniões de oração, à pregação da Palavra e ao sacramento da Ceia do Senhor? Vocês têm em alta conta essas ordenanças por causa do cunho da instituição de Cristo sobre elas, por causa da presença de Cristo nelas, e por serem elas meios para unirem você e Ele? E quando estão sob as ordenanças, vocês buscam diligentemente a Cristo nelas? Ficam vocês limitados à parte exterior e carnal das ordenanças de apenas encontrarem-se com o povo de Deus? Ou vocês determinam, desejam e esforçam-se por algo mais interior, espiritual e incomparavelmente doce a fim de que possam encontrar-se com Cristo para que tenham comunhão com o Pai e o Filho? E com relação a isso podem vocês dizer como Davi : "Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor!" e: " pois um dia Senhor nos teus átrios valem mais que mil"( Sl. 84:10), e: "Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que possa eu morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor, e meditar no seu templo" (Sl. 27:4)? Buscam vocês a Cristo também com suas famílias e em particular? Buscam-no em meditação e oração secreta? O seu amor por Cristo se expressa nos seus desejos ; os seus desejos se revelam na sua busca por Cristo em Seus meios.

III. Em terceiro lugar, vocês podem conhecer o seu amor por Cristo pelo seu amor pela imagem de Cristo; existe a imagem de Cristo na Sua Palavra, e existe a imagem de Cristo no seu povo.

1) Vocês amam a imagem de Cristo na sua Palavra? Assim como em uma moeda de César tem a imagem e a inscrição de César, a Palavra das Escrituras, a qual é a Palavra de Cristo, traz a imagem e a inscrição d'Ele. Vocês amam as Escrituras por causa da imagem da verdade e da sabedoria de Cristo nelas? Amam vocês os preceitos das Escrituras por causa da imagem da santidade de Cristo neles? Amam vocês as ameaças das Escrituras por causa da imagem da justiça de Cristo nelas? Amam vocês as promessas das escrituras por causa da imagem da bondade, graça, e amor de Cristo nelas? Vocês tem a Palavra de Cristo nas sua Bíblias, e às vezes em seus ouvidos, mas ela nos vossos corações? Vocês a recebem em amor?

2) Amam vocês a imagem de Cristo no Seu povo? Se vocês não amam ao seu irmão a quem vêem, como podem amar o seu Senhor a quem não viram? Todo discípulo de Cristo traz a imagem de Cristo. Se vocês amam o original amarão a imagem, mesmo que não esteja perfeitamente gravada. Se vocês amam a perfeita bondade e santidade que está em Cristo, vocês amarão a bondade e santidade que vêem nos santos, ainda que eles as tenham em uma imperfeita medida. Amam vocês os discípulos de Cristo, e isso por causa da imagem de Cristo, embora eles discordem de vocês em algumas opiniões que são circunstanciais?

IV. Em quarto lugar, vocês podem conhecer seu amor por Cristo pela sua obediência aos Seus mandamentos.

João 14:15, "Se me amais, guardareis os meus mandamentos"; e o versículo 21, "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama". Vocês têm os mandamentos de Cristo. Vocês os guardam? Vocês os conhecem, mas vocês os praticam? O seu amor por Cristo é conhecido pela sua obediência a Ele. Se Cristo é o seu Amado, Ele é também o seu Senhor; se vocês têm verdadeira afeição por Ele, vocês se sujeitarão a Ele. Se vocês amam a Cristo, vocês procurarão agradá-lO. Vocês não são servos da carne, para cuidarem de agradá-la, mas são servos de Cristo para procurar, acima de tudo e de todos, agradá-lO. Se vocês amam a Cristo, vocês não só temem dar ocasião de ofensa para os homens, mas acima de tudo, vocês temem desagradar e ofender o seu Senhor. Vocês se esforçam para andar de modo que agrade a Cristo na forma de uma sincera e compreensiva obediência? Vocês obedecem a Cristo de todo o coração? Têm vocês respeito por todos os seus mandamentos? Vocês lamentam quando caem em sua obediência a Cristo? Se vocês podem dizer na presença do Senhor e dos seus corações (não permitam que suas línguas mintam) que vocês não vivem e não permitem a si mesmos viverem na prática de qualquer pecado conhecido que Cristo proíbe, nem na negligência de qualquer dever conhecido que Cristo ordena, essa é uma evidência segura do verdadeiro amor por Cristo.

PASTOREANDO O CORAÇÃO DA CRIANÇA





I. POR QUE ORIENTAR AS SUAS CRIANÇAS?

Palestra Proferida pelo Dr. Tedd Tripp em Out/94 na X Conferência da Editora Fiel

Gn. 18:19. "Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor, e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito."
Esta passagem chama os pais para dirigirem seu filhos. Eu sei que a nossa cultura tem se afastado desta tarefa, e que o nosso país, EUA, exporta tanto coisas boas como ruins, e por isso eu estou certo que você também tem sido tentado a se afastar desta tarefa. A minha oração é que nestes dias nós sejamos colocados face a face com a tarefa de dirigir nossas crianças, e que Deus possa corrigir nossas falhas e também nos levar a obediência.
A porção deste verso que eu quero olhar neste momento é a seguinte: "Para que ordene a seus filhos e a sua casa". Esta passagem nos chama a ordenar a nossa casa. Deixe-me colocar aqui , aquilo que já é óbvio. Este chamado para que nós dirijamos as nossas crianças, implica que elas precisam de direção. As crianças não tem um conhecimento maduro, não conhecem a si mesmas, não possuem experiência da vida, elas pedem direção. E a palavra aqui é que nós devemos por ordem, é colocar as coisas no lugar certo. Nós precisamos dirigir nossas crianças, o que descreve um relacionamento de autoridade. Nós somos pessoas chamadas para dirigir nossas famílias. Deus tem nos dado autoridade para assim agir. No meu país é difícil cumprir este mandamento, pois nós fazemos parte de uma cultura que não gosta de autoridade. Nós não gostamos de estar debaixo de autoridade e também não gostamos de exercer autoridade.

Razões Para Orientá-las

Quais são algumas razões pelas quais as crianças precisam se submeter a nossa autoridade? Por que as crianças precisam de alguém que lhes diga o que é bom para elas? Quais são as necessidades, de uma criança, que pedem direção? Como que as crianças se beneficiam recebendo direção? Essas são as perguntas que queremos responder através da Palavra de Deus.
A primeira razão é que ouvir os pais, é o meio pelo qual o filho ou a filha adquire o entendimento e o temor do Senhor.
Há alguma coisa em ouvir e responder aquilo que uma pessoa sábia diz e isto ensina a criança a aprender o temor do Senhor. Em Pv.2:1-5 é apresentado uma resposta sábia à correção e à direção, pois as palavras do pai tem sido aceitas sendo postas no depósito e o coração se aplicou ao entendimento, e, o filho, tem recebido entendimento e discernimento, pois é através de ouvir o pai que a criança encontra o conhecimento de Deus. Por isso nós precisamos ser dedicados no instruir nossas crianças. Nós não devemos permitir que as nossas crianças não recebam estes ensinamentos, pois a criança que não ouve a instrução de seu pai não vai aprender o temor do Senhor e, sem o temor do Senhor, ela não vai encontrar o conhecimento de Deus. É conhecendo o temor de Deus que há a possibilidade de se conhecer a Deus. Então uma das razões porque as crianças precisam da direção dos pais é que assim elas aprenderão o temor do Senhor. Nesta passagem você encontra muitas bênçãos que se seguirão à obediência, e estas bênçãos não virão sobre a criança que não ouve a instrução dos pais.
A segunda razão pela qual as crianças devem receber a direção dos pais é que este é o meio pelo qual a filha e o filho crescerão em sabedoria e ganharão entendimento (Pv.4:1; Pv.13:1; Pv.19:20; Pv.23:22).
A terceira razão é que, recebendo a direção dos pais, a criança terá condição de conhecer a atitude de ser discreto e evitará problemas (Pv.5:1-2).
Neste texto são mencionados muitos avisos e advertências com relação a perigos que serão evitados através do ouvir a instrução dos pais (Pv. 5:7). Em Pv. 7:13 menciona os sentimentos de tristeza do homem que não deu ouvidos aos pais. Como é que a criança pode atravessar o desafio da fornicação, da atração e do prazer sexual? Como é que se pode olhar para estes perigos com um julgamento maduro? Pois o nossos jovens não têm se livrado destes perigos e os jovens estão agindo de maneira que desonram a Deus no seu comportamento. As nossas crianças precisam saber que o pecado do sexo haverá de trazer resultados terríveis, e este texto nos diz que isto é aprendido pelo ouvir a instrução dos pais. Pais vocês precisam instruir as suas crianças, ensinem as suas crianças o temor do Senhor, dêem a elas direção, ajude-as a aprender a ouvi-lo, e você tenha discernimento para ver se elas estão ouvindo, encontre um jeito de envolvê-las na conversa como Salomão em Pv. 7:24-27. Como é que o jovem pode alcançar esta sabedoria? ele a ganha por recebê-la através da instrução dos pais.
A quarta razão é que receber a direção dos pais é o meio pelo qual os filhos podem desfrutar das bênçãos prometidas.
A criança que receber tal instrução, terá poucas lutas ou dificuldades na vida (Pv.1:8-9). Pois a instrução dos pais será como uma grinalda sobre a cabeça e como um colar, e a criança que recebe esta instrução será grandemente abençoada. As palavras dos pais são vida para a criança, trazem saúde para o corpo todo (Pv.4:20- 22). "Aqueles que me encontram, encontram o favor do Senhor e encontram vida", e a criança que recebe instrução dos pais, de todos os lados recebe bênçãos para sua vida (Pv.8:32-36).
A quinta razão pela qual as crianças devem receber instrução dos pais é que recebê-la é o meio pelo qual o filho ou filha gozará a bênção de uma vida longa.
Eles haverão de prolongar as suas vidas e trazer a prosperidade (Pv.3:1-2 e 4:10). Em Pv.7:2 é dito: "observe o meu mandamento e vive." A promessa de uma vida longa em Efésios 6:1-3 tem a sua raiz no Velho Testamento. A bênção da vida longa é uma das coisas que Deus coloca sobre a criança que recebe a instrução dos pais. As crianças precisam da orientação dos pais. Elas não entendem o quanto elas necessitam disso, pois nós vivemos em uma época em que não se faz isso com freqüência. A nossa cultura diz que a criança tem o direito de escolha em tudo e, temos assim, entregado a elas a responsabilidade da decisão. Mas elas não estão preparadas para tomar as decisões sábias e acertadas, e a evidência desta falha está em todo o mundo. Nós não podemos tratá-las como se elas tivessem maturidade para um bom julgamento, nem como se estivessem equipadas para tomarem decisões sábias. Eu não estou sugerindo que devamos ser pais duros e ruins, nem que devamos ser super exigentes e nada bondosos, mas nós precisamos prover direção para nossas crianças. O que eu quero olhar é como nós podemos dar estas instruções às crianças? Como podemos falar coisas profundas às suas vidas? Como podemos passar além do comportamento para irmos então até os seus corações? Nós precisamos aprender como dar a direção para que elas possam aprendê-las.
Falhas Comumente Cometidas
Há muitas evidências de nossas falhas em fazer e em não fazer isto. E há três falhas que estão presentes em nossas vidas. Vamos apresentar três exemplos de uma auto-satisfação indevida, que nossas crianças têm experimentado.
A primeira, é permitirmos que as nossas crianças desenvolvam hábitos de uma vida vazia, sem ocupação.
As crianças tem recebido de nós, o poder de decisão sobre o que vão fazer com muito do seu tempo, e nós as dispensamos das responsabilidades das tarefas da casa, deixando que elas sentem e desfrutem das bênçãos da vida sem que elas trabalhem por aquilo. Como resultado disso nós vemos crianças que, mais tarde, não verão o trabalho como uma bênção para suas vidas.
A segunda é nós permitirmos, às nossas crianças, hábitos de extravagâncias.
Esta se evidencia facilmente nos detalhes particulares das suas roupas, e exigências quanto as suas atividades e os seus prazeres.
A terceira evidência, é nós permitirmos que as nossas crianças tenham o hábito de manifestarem as suas explosões emocionais e de ira.
Nós precisamos estar dando direção bíblica para elas nessas áreas.

Responsabilidade Paterna
Se nós vamos treiná-las, nós precisamos de alvos muito claros em nossa tarefa. Nós não podemos realizar alguma coisa se não sabemos o queremos realizar. E é uma obrigação específica para os pais. Em Gn.19 diz: "Eu o escolhi (Abraão)". Em Ef.6:4 nos diz: "Pais, não provoqueis..." e esta tarefa então, é primariamente dos pais (homens). Por isso os pais é que são chamados para esta tarefa. Certamente você se utilizará dos talentos de sua esposa, mas saiba que a responsabilidade é sua. Cabe então ao pai verificar se esta tarefa está sendo realizada, e que está sendo feita com qualidade. Não estou sugerindo que as nossas esposas não tenham capacidade para realizá-las bem, mas sim que compete a nós homens, a responsabilidade de que seja feito e com perfeição.

Alvos Sugeridos
Deixe-me sugerir dez alvos amplos nesta área. Coisas que devemos estar tentando realizar no nosso treinamento com as crianças.

O primeiro é um ensino geral no conhecimento da Bíblia.

Precisamos treiná-las a ter um conhecimento geral das Escrituras, tal como, saber os livros da Bíblia na ordem em que eles se encontram. Ser capazes de encontrar os textos principais das Escrituras, como o Salmo do Bom Pastor, o relato da criação e do dilúvio, a chamada de Abraão e de José, os dez mandamentos, as bênçãos e as maldições da aliança, a passagem de Isaías sobre o Servo sofredor, algumas profecias do Velho Testamento sobre o Senhor Jesus Cristo, onde encontrar as bem-aventuranças, onde se encontra o relato sobre a igreja primitiva, onde está o relato de Jesus falando com Nicodemos, ou aonde encontrar o fruto do Espírito, e o capítulo do amor, e ainda as qualificações para os oficiais da Igreja, e ainda passagens que descrevem o corpo de Cristo. Isto pode ser parte do culto familiar. Eu uma vez fiquei na casa de um pastor onde as crianças acompanhavam o culto com cadernos de anotações, e a cada noite elas estavam acrescentando verdades aos seus cadernos e as suas mentes.

Em segundo lugar, como alvo, nós deveríamos ensinar o Catecismo as nossas crianças.

Ensiná-las as doutrinas bíblicas através de perguntas e respostas. É interessante notar que Dt. 6 estabelece que o ensino do pai para o filho deve ser feito através da pergunta e da resposta.

Em terceiro lugar, devemos ensiná-las a lidar com a vida de forma bíblica.

Precisamos ensiná-las a se portar corretamente diante das ofensas e como responder às dificuldades da vida com uma perspectiva bíblica. Quando seu filho chega em casa chorando porque alguém o machucou, você tem a oportunidade de, nessa hora, instruir a sua criança a não pecar nessas circunstâncias. É muito mais necessário a criança aprender a lidar com as ofensas sofridas do que o pai ir resolver essas questões. Precisamos ensiná-las passagens como Rm. 12 onde elas aprenderão como retornar o bem pelo mal sofrido. Também Lc.6 que nos diz para abençoarmos aqueles que nos amaldiçoam.

Em quarto lugar, precisamos estar preocupados em treinar o caráter de nossas crianças.

O caráter delas precisa ser dirigido para dentro da linha do Senhor. Precisamos ensiná-las a temer ao Senhor, a serem humildes, a possuírem integridade e diligência, gratidão e lealdade, disciplina e sabedoria, discernimento e atenção, pureza e mansidão. Nós como pais, precisamos ensiná-las a terem e a refletir estas qualidades. Essas coisas não fazem parte da nossa cultura e por isso nós precisamos ensiná-las.

Em quinto lugar, nós precisamos ensiná-las um desenvolvimento social geral.

Em Lc.2:52 nos diz que Jesus cresceu em sabedoria e graça diante de Deus. Ele deve ter se conduzido de tal maneira que as pessoas da sua cultura O respeitaram. Por isso nossas crianças precisam aprender a se comportar e lidar de forma respeitável nos mais diversos tipos de relacionamentos. Precisamos ensiná-las em todas as questões e tentações que dizem respeito a amizades. Há algumas tentações que tem a ver com as autoridades, outras com os professores, com os demais membros da família, e também com toda a sociedade. E elas precisam aprender a se comportar convenientemente em cada caso.

Em sexto lugar, nós precisamos estar preocupados em treiná-las nas questões acadêmicas.

Como pais, precisamos estar envolvidos nas questões de educação dos nossos filhos, de forma que eles estejam aprendendo a olhar o mundo sob o prisma de Deus. Há uma passagem muito interessante em I Rs.4:29-34 que nos diz que Salomão era mais sábio que todos de sua época, possuindo sabedoria sob o prisma divino em todas as questões. Assim também, devemos nós ensinar as nossas crianças a aprender todas as questões sob este prisma.

Em sétimo lugar, nós temos de ensiná-las a ter uma visão bíblica sobre possessões.

Elas precisam ver nossas posses como dádivas de Deus e como ferramentas. Precisam ver as pessoas como sendo mais importantes do que aquilo que possuímos. Em I Tm.5 diz que nós não devemos confiar nas riquezas e que devemos ser ricos em boas ações.

Em oitavo lugar, temos de ensiná-las o valor do tempo.

Ef. 5 nos chama para remir o tempo porque os dias são maus. E isso não é apenas para os adultos, mas também é para as crianças. Daí termos de ensiná-las a serem responsáveis pelo seu tempo. Eles precisam de tempo para brincar, mas precisam entender que a vida é curta, e que há oportunidades que exigem o uso sábio do tempo.

Em nono lugar, nós precisamos ensiná-las a desenvolver projetos que estejam relacionados com o interesse delas.

Precisamos ajudá-las a encontrar bons livros para serem lidos, a fazer boas coisas com o seu tempo. Precisamos ensiná-las a ter resistência e perseverança. Nós podemos fazer muito mais do que aquilo que pensamos que podemos. Podemos trabalhar mais duro do que aquilo que nós percebemos, e nós precisamos ensinar as nossas crianças a perseverar e continuar mesmo quando elas perdem o interesse na tarefa, principalmente quando se tratar de tarefas longas e que precisam muito de nós.

Em décimo lugar, elas precisam aprender a controlar as suas emoções.

Nós precisamos ensiná-las a serem pessoas que vivam baseadas nas verdades bíblicas e não nas suas emoções e no seus sentimentos, a encontrarem as suas verdades na Palavra de Deus. Elas precisam aprender a entender os seus sentimentos, mas a serem guiadas pelos caminhos bíblicos. Nós precisamos ensiná-las a viver de acordo com aquilo que é justo e reto.

Nossa Suficiência

Nós temos uma grande missão de treinamento. Será que você se cansou com esta lista apresentada? É uma grande tarefa que Deus tem nos dado. Nós temos um grande exército para treinar para a batalha. O inimigo está a nossa volta. Nós precisamos, então, treinar as nossas crianças para que elas tenham uma vida útil ao Reino de Deus.
Talvez você se pergunte: aonde encontrarei forças para executar esta tarefa? Esta tarefa é muito grande e eu nunca vou conseguir fazer isto que foi apresentado. Mas para encerrar, leia a sua Bíblia em Ef.3 e lembre-se que o livro de Efésios tem o seguinte esboço: Os três primeiros capítulos o Ap. Paulo apresenta a glória do evangelho. Nós aprendemos ali sobre a grande salvação de Deus e sobre o amor de Deus que nos elegeu. Nós aprendemos sobre a redenção que há em Cristo e também sobre o poder que está trabalhando em nós, e como Deus nos levantou dos mortos. Paulo fala sobre a salvação pela graça mediante a fé. Então a glória da salvação está posta nestes três primeiros capítulos. Nos capítulos 4 a 6, Paulo focaliza as três maiores áreas da vida. No cap. 4 ele fala da Igreja, no 5 sobre marido e mulher, e no cap. 6 sobre as crianças, famílias e trabalho. Então as três áreas focalizadas são a Igreja, a família e o trabalho. E na transição do capítulo 3 para o 4 nós temos esta oração maravilhosa do Apóstolo.
Leia Ef. 3:14-21, e você verá que Deus tem nos dado, na Sua graça gloriosa, o poder de que necessitamos. Ele tem trabalhado conosco através do Seu poder em nosso ser interior. Jesus Cristo habita em nossos corações pela fé. Nós sabemos sobre este amor de Deus que está acima de todo entendimento, e Ele pode fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos. O poder de Deus está agindo em cada um de nós como filhos de Deus. O Deus da glória tem levado o Seu Filho a habitar em nossos corações. Ele está operando assim para a Sua própria glória, glória da Sua igreja. E toda a graça de que nós precisamos para cumprir esta tarefa de pais, nós encontramos em Jesus Cristo.
Deus tem nos dado uma grande tarefa e aquele que está em nós é maior do que esta tarefa. E Ele é capaz de nos dar a graça que precisamos para servi-lo, então Ele nos dá esta graça para assim fazer. E a nossa esperança de poder fazer aquilo que Deus tem nos chamado para fazer está baseada na pessoa de Jesus Cristo. Que Deus nos dê graça para que possamos dar a nós mesmos a determinação, e aplicarmos aquilo que Deus tem nos chamado para fazer. Amém!

Nota: Esta é a primeira das quatro palestras proferidas pelo autor. As demais serão disponibilizadas posteriormente.
aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.
João 4:14

E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.
Apocalipse 22:17
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