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14 de junho de 2012

Spurgeon O Plantador de Igrejas


Muitas pessoas não estão cientes da paixão extraordinária de C. H. Spurgeon por plantação de igrejas. Neste breve artigo, Peter Morden lança luz sobre como esse ministério impactou Londres.
O cenário Batista em Londres seria muito diferente hoje não fosse o ministério de plantação de igrejas de Charles Haddon Spurgeon. Algumas estatísticas nos ajudam a começar a compreender a extensão de sua influência. De forma impressionante, 53 das 62 novas igrejas Batistas de Londres fundadas entre 1865 e 1876 foram criadas graças ao seu trabalho; e no tempo da sua morte, em 1892, ele estava envolvido na plantação de quase 100 igrejas na cidade e nas áreas circunzinhas. A maioria dessas igrejas permanecem até hoje, muitos delas fortes e vigorosas, incluindo aquelas em Balham, Enfield, Greenwich, Norwood (Chatsworth), Teddington e Wimbledon (Estrada da Rainha).
Como Spurgeon conseguiu esse feito extraordinário? Seus métodos eram flexíveis e variavam dependendo do contexto, mas muitas vezes ele trabalhava da seguinte maneira. Para começar, Spurgeon identificaria uma área que parecia ser uma oportunidade missionária promisssora. Então ele enviaria um ou dois alunos do Colégio de Pastores para realizar cultos de pregação ao ar livre, muitas vezes com o apoio de outras pessoas da sua igreja. Se esses trabalhos “ao ar livre” fossem bem sucedidos, ele alugaria algumas salas para que novas reuniões pudessem ser realizadas. Se o trabalho continuasse a florescer (como normalmente aconteceu), terrenos adequados seriam comprados e instalações construídas. Spurgeon tinha o seu próprio advogado para ajudar as novas igrejas na elaboração das escrituras e com quaisquer outras questões jurídicas que surgissem. A parte financeira era suprida por seus muitos colaboradores – e também pelo próprio Spurgeon.
A Igreja Batista de Enfield, ao norte de Londres, é apenas um exemplo de uma igreja que deve o seu início, humanamente falando, a Spurgeon. Em 1867, após uma reunião que realizou com algumas pessoas interessadas daquele lugar, os cultos foram iniciados em uma sala em cima de um pub, o Rising Sun [Sol Nascente]. Uma “capela de ferro” temporária foi logo construída, e Spurgeon pregou o primeiro sermão no novo edifício. Havia então 30 membros e a igreja continuou a crescer. Em 1872, uma capela mais permanente foi erguida. Hoje, o elo com Spurgeon é tão forte como antes: Amanda James[1], o ministro titular, formou-se no Spurgeon’s College; o ministro em treinamento, Craig Downes, está atualmente estudando lá. Sob a liderança deles, a Igreja Batista de Enfield continua a prosperar e tem uma forte atuação em missões estrangeiras.
Falando de sua paixão por plantação de igrejas, Spurgeon disse certa vez:
É com alegria … que encorajamos nossos membros a nos deixar para fundar outras igrejas; ou melhor, procuramos convencê-los a fazê-lo. Pedimos a eles que se espalhem por toda a terra, para se tornar a semente piedosa que Deus abençoará. Eu creio que enquanto fizermos isso, prosperaremos.
Seu grande coração e sua paixão evangelística brilharam grandemente. Por qualquer padrão, o legado de novas igrejas que ele deixou foi um legado notável.

[1] Com certeza, Spurgeon ficaria decepcionado com o fato dessa igreja ter se afastado da Escritura nesse ponto e aceitar a ordenação feminina. [N. do T.]
 
Fonte: The Recorder

Charles Spurgeon: Uma Breve Biografia
por
Professor Robert H. Ellison


† NASCE em Kelvedon, Essex, Inglaterra, em 19 de Junho de 1834.

† NOVO NASCIMENTO em Colchester, em 06 de Janeiro de 1850.

† Se converte num BATISTA, em 03 de Maio de 1850. (É batizado no Rio Lark, em Isleham).

† Prega seu PRIMEIRO SERMÃO, na casa de uma família rural em Teversham, 1850.

† Prega seu primeiro sermão na Capela Batista WATERBEACH, em 12 de Outubro de 1851.

† Prega seu primeiro sermão na Capela New Park Street, Londres, em 18 de Dezembro de 1853.

† Aceita o PASTORADO da Capela New Park Street, Londres, em 28 de Abril de 1854 (então com 232 membros).

† Primeiro sermão PUBLICADO no “New Park Street Pulpit, em 07 de Janeiro de 1855.

† MATRIMÔNIO com Susanah Thompson (nascida em 15/01/1832) em 08 de Janeiro de 1855.

† VIAGEM DE BODAS por 10 dias à Paris, França, do matrimônio de Spurgeon, na primavera de 1856.

† Inicia o Comitê para a construção do TABERNÁCULO METROPOLITANO, em Junho de 1856.

† FILHOS GÊMEOS (não idênticos) Thomas e Charles, nascidos em 20 de Setembro de 1856.

† Estabelece o THE PASTOR'S COLLEGE em 1856, que se expande em 1857.

† INAUGURAÇÃO do Tabernáculo Metropolitano, com uma Reunião de Oração, em 18 de Março de 1861.
† É fundada a Associação dos COLPORTOTES (distribuição de livros) doTabernáculo Metropolitano, em 1866.

† É fundado o Orfanato Stockwell (para meninos), em 1867. A primeira pedra foi lançada em 9 de Setembro de 1869.

† É posta a primeira pedra pelo Diácono Thomas Olney para o EDIFÍCIO do The Pastor's College (a construção terminou em Março de 1868).

† São iniciadas suas férias anuais no sul da França, para descanso e recuperação, em Dezembro de 1871.

† São agregados 571 membros em Fevereiro de 1873, para uma membresia total de 4.417.

† É colocada a primeira pedra para um novo edifício do The Pastor's College, em 14 de Outubro de 1873.

† É inaugurado o FUNDO PARA LIVROS da Senhora Spurgeon, em 1875.

† Apresentação da lembrança pelas BODAS DE PRATA pastorais, em 20 de Maio de 1879.

† É fundado o Orfanato Stockwell (para meninas), em 1879. A primeira pedra foi lançada em 22 de Junho de 1880.

† CELEBRAÇÕES POR SEU JUBILEU e reconhecimentos, em 18 e 19 de Junho de 1884.

† Primeiro artigo da “Controvérsia do Declínio” publicado na revista “A Espada e a Colher”, em agosto de 1887.
† Morre ELIZA, a mãe de Spurgeon, com a idade de 75 anos, em 1888.

† ÚLTIMO SERMÃO pronunciado no Tabernáculo Metropolitano, em 07 de Junho de 1891.
- Durante seu Pastorado, foram batizados e se uniram ao Tabernáculo 14.692 irmãos.
- No final do ano de 1891 a membresia contava com 5.311 (a capacidade do Tabernáculo era de 6.000, com 5.500 assentos, 500 de pé; as dimensões: 44.5 m de largura, 25 m de comprimento, 21 m de altura).

† Sofre muito pelas dores e enfermidades durante os meses de Junho e Julho de 1891.

† Viaja de novo (pela última vez) para MENTON, França, em 26 de Outubro de 1891.

† Nesse lugar, ADOECE GRAVEMENTE pela combinação sofrida e duradoura de reumatismo, gota e enfermidade de Bright (rins).

† Ainda descansando em Menton, finalmente CAI DE CAMA, em 20 de Janeiro de 1892.

† O corpo de Spurgeon MORRE, mas seu espírito entra na GLÓRIA, em 31 de Janeiro de 1892.

† É sepultado no cemitério de Norwood, em 11 de Fevereiro de 1892.

† Seu irmão JAMES (Pastor Assistente do Tabernáculo), morre com a idade de 61 anos, em 22 de Março de 1899.

† Seu pai (e Pastor) JOHN, de quase 92 anos, morre em 14 de Junho de 1902.

† Sua esposa (e colaboradora) SUSANAH, morre aos 71 anos, em 22 de Outubro de 1903.

† Seu filho (e Pastor) THOMAS, morre aos 61 anos, em 17 de Outubro de 1917.

† Seu filho (e Pastor) CHARLES, morre aos 70 anos, em 13 de Dezembro de 1926.


Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 20 de novembro de 2004.

12 de junho de 2012

MARTIN LUTHER KING O MENSAGEIRO DA JUSTIÇA E DA PAZ

 

Ela era uma costureira. Não era uma jovem, nos seus 42 anos de idade.
Como sempre fazia, subiu no ônibus, de volta para casa.
Mas naquele dia ela fez diferente. Todos os negros eram obrigados a ceder seu lugar se chegasse um branco.
Ela estava cansada e naquele dia Rosa Parks não cedeu seu lugar, quando o motorista lhe ordenou que o fizesse.
Mas a lei era clara. Aquilo era crime e ela foi presa.
Os negros se revoltaram e resolver fazer um boicote aos ônibus: daquele dia em dia nenhum negro viajaria nos ônibus da cidade. Durante 381 dias ninguém furou o boicote.
O principal líder do movimento era um negro, pastor batista de 26 anos de idade.
Ele também foi preso e logo o mundo inteiro passou a respeitar seu nome: Martin Luther King, Jr.
Seu pai também era um pastor.
Após o movimento que liderou contra a segregação racial nos ônibus, sua vida esteve sempre em perigo. A primeira ameaça foi uma bomba jogada na varanda de sua casa. Mesmo correndo risco de vida, não parou.
Entre os fatos marcantes da sua vida está uma marcha em direção Washington, capital dos Estados Unidos, da qual participaram milhares de pessoas. Numa das escadarias da cidade, prega o seu mais famoso sermão (`Eu tenho um sonho'), onde manifestava o desejo de que um dia brancos e negros seriam iguais.
Este sonho lhe custou caro: foi preso várias vezes, foi esfaqueado na rua, foi torturado na cadeia.
A causa dos negros foi sua principal luta, mas não a única. Ele também liderou movimentos contra a presença dos Estados Unidos na guerra do Vietnã.
Ganhou o Prêmio Nobel da Paz por todas as suas lutas pela não-violência.
Seu método fez com que muitos brancos participassem de suas lutas. Como resultado, as leis racistas norte-americanas foram caindo uma a uma. Hoje, naquele país, brancos e pretos são iguais perante a lei.
King estava certo de que `a liberdade jamais é dada voluntariamente pelos opressores' e que esta `deve ser exigida pelos opressores'. Ao seu ver, esta conquista devia ser feita não pela força das armas, mas pela força da paz. Seu método, aprendido com Jesus Cristo e reaprendido com Ghandi, da Índia, era o da não-violência.
E o que a não-violência? 
1. A não-violência é a vereda do forte, não um método de covardia;
2. O alvo da não-violência é sempre a redenção e a reconciliação, não humilhar e desafiar o adversário, mas ganhar a amizade e a compreensão do inimigo;
3. A não-violência é direcionada, não contra as pessoas que praticam o mal, mas contras as forças do mal, contra a injustiça, e não contra as pessoas;
4. o sofrimento redentivo assume que há poder social, cultural, político e econômico na não cooperação, mas o poder moral no sofrimento voluntário em prol dos outros;
5. Ágape (amor incondicional, não egoísta para com o semelhante -- um dom de Deus) supõe que o homem não-violento deve evitar a violência física externa, e a violência espiritual interna; deve recusar-se a odiar o adversário, e isso só pode acontecer quando amor ético está projetado no centro da vida de alguém;
6. o universo, a dinâmica da história, está ao lado da justiça e da paz. No longo percurso, a verdade prevalecerá e haverá uma totalidade universal harmoniosa.
Este crente na não-violência foi silenciado pela violência, quando um homem branco o fuzilou, quando ele estava na sacada de um hotel. Tinha 39 anos de idade.
Dois meses antes de morrer, pregou na igreja onde era co-pastor do pai, que gostaria que dissessem dele basicamente que foi um mensageiro. `Digam que fui um mensageiro da justiça. Digam que fui um mensageiro da paz. Que fui um mensageiro da retidão'.
Sobre este mártir da justiça, o pastor José dos Reis Pereira escreveu o seguinte:
`Em Martin Luther King Jr. vejo o amor em ação. Não o amor téorico. Amor na prática. Ele amava seus irmãos de raça por cuja liberdade lutava; mas amava também os brancos que os oprimiam. O movimento que lançou se baseava na não-violência.
(...)
Foi um cristão que viveu cristãmente. Um cristão que se empenhou numa luta considerada por muitos impossível, mas venceu aplicando métodos cristãos, pois o Cristianismo verdadeiro opõe-se à violência'.
Todos nós, cristãos que amamos a justiça, devemos muito ao martírio desse batista chamado Martin Luther King, Jr.

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PRINCIPAIS MOMENTOS
Nome: Martin Luther King, Jr.
Nascimento: 1929
País: Estados Unidos
Cidades: Atlanta, Montgomery
Morte: 1968
Forma: assassinato a bala
Livros: `Marchando em direção à liberdade', `Força para amar', `Não podemos esperar', `Para onde iremos: para o caos ou para a comunidade?'
[Fatos relevantes:
1955: lidera o boicote contra os ônibus;
1958: é esfaqueado no peito;
1959: visita a Índia, para conhecer melhor o pensamento de Ghandi;
1963: marcha sobre Washington;
1964: recebe o Nobel da Paz;
1966: protesta contra a guerra do Vietnã;
1968: é assassinado.]
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PENSAMENTO
"Se puder ajudar aguém à minha passagem, se puder alegrar alguém com uma palavra ou canção, se puder mostrar a alguém que está andando errado, não terei vivido em vão;
se puder cumprir o meu dever de cristão. Se puder levar a salvação ao mundo ontem arrasado;
se puder difundir a mensagem como o Mestre o ensinou,
então a minha vida não terá sido em vão".

"A nossa luta em prol da justiça racial é baseada nessa espécie deamor. Não podemos jamais desistir. Temos de trabalhar apaixonada e infatigavelmente pela cidadania de primeira classe. Não podemos nunca contemporizar na nossa determinação de remover todos os vestígios de segregação e discriminação no nosso país, mas tampouco podemos abrir mão do nosso privilégio de amar.
Tenho visto demasiado ódio para querer odiar.
Temos de poder dizer aos nossos mais fanáticos opositores:
-- Igualaremos a vossa capacidade infligir sofrimento com a nossa capacidade de suportá-lo. Enfrentaremos a vossa força física com a nossa força moral. Fazei o que quiserdes e continuaremos a amar-vos. Não podemos, em boa consciência, obedecer às vossas leis injustas e acatar o vosso injusto sistema, porque a não-cooperação com o mal é tanto uma obrigação moral quando a cooperação com o bem. (...) Ficai certos de que a nossa capacidade de sofrer triunfará e um dia conquistaremos a nossa liberdade. Não só conquistaremos a liberdade para nós, mas apelaremos de tal maneira ao vosso coração e à vossa consciência, que também vos conquistaremos e a nossa vitória será dupla".

"América, tu te transviaste. Tu calcaste aos pés dez milhões de teus filhos. Todos os homens são criados iguais. Não alguns homens. Não os homens brancos. Todos os homens. América, levanta-te e regressa ao lar".

ISRAEL BELO DE AZEVEDO

14 de agosto de 2010

frases sobre - TESTEMUNHO

TESTEMUNHO
• A verdadeira característica do santo é o fato de ele fazer com que seja mais fácil para os outros crer em Deus.
Anônimo
• Testemunhar não é algo que fazemos; é algo que somos.
Anônimo
• Aquilo por que vivo, comunico.
Agostinho
• O cristão é chamado para ser testemunha, não para participar da denúncia.
Doug Barnett
• Os homens podem não ler o evangelho em couro de foca, em marroquim ou em brochura; mas eles não podem esquivar-se do evangelho em sapatos de couro.
Donald Grey Barnhouse
• Os cristãos devem penetrar no mundo sem se tornar parte dele.
• O objetivo do testemunho não é arrumar discussões, mas sim discípulos.
J. Blanchard
• A vida do cristão deve ser simplesmente uma representação visível de Cristo.
Thomas Brooks
• A Bíblia chama de luz a vida do homem bom; faz parte da natureza da luz fluir espontaneamente em todas as direções e encher o mundo com seus raios.
Horace Bushnell
• O cristão é o recurso visual que Deus traz ao palco quando ele começa a falar à pessoa não-convertida.
H. W. Cragg
• Se você fosse preso por ser cristão, haveria provas suficientes para condená-lo?
David Otis Fuller
• A tarefa do cristão é tornar o Senhor Jesus visível, inteligível e desejável.
Len Jones
• Uma testemunha em uma corte de justiça precisa apresentar provas; uma testemunha cristã precisa ser uma prova. Esta é a diferença entre a lei e a graça!
Geoffrey R. King
• Nada fecha tanto os lábios como a vida.
D. L. Moody
• A fé não é criada pelo raciocínio, mas também não é criada sem ele. Há mais coisas incluídas no testemunho do que lançar sobre a cabeça dos incrédulos montes de textos bíblicos previamente combinados.
J. I. Packer
• Testemunhar é todo o trabalho de toda a igreja durante todo o tempo.
A. T. Pierson
• Se você se apresenta neutro em relação a Cristo em seus contatos mais íntimos, há algo de errado com seu cristianismo.
Alan Redpath
• O verdadeiro problema do cristianismo não é o ateísmo nem o ceticismo, mas o cristão que não dá testemunho e tenta contrabandear sua própria alma para o céu.
James S. Stewart
• Testemunho não é sinônimo de autobiografia! Quando estamos realmente testemunhando, não falamos de nós mesmos, mas de Cristo.
John R. W. Stott
• Meu coração está repleto de Cristo e anseia
Seus assuntos gloriosos declarar!
Sobre ele lindos hinos compor irei.
Pronta, minha língua se apressa a cantar
As glórias de meu celeste Rei.
• Charles Wesley

1 de junho de 2010

Ser batista





Nestes tempos de tanta confusão, falta de identidade denominacional, precisamos definir os termos (como dizia o professor Purim). O que é ser batista? Antes de tudo, é ser cristão, nascido de novo, regenerado em Cristo Jesus pela obra poderosa do Espírito Santo por causa do amor de Deus, o Pai. É ser nova criatura (2 Coríntios 5.17).
Cuidar muito bem da vida pessoal, sendo um leitor assíduo da Palavra de Deus e ter uma vida intensa de oração. Primar pelo culto no lar. Compartilhar a sua fé em Cristo, agindo como sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-16). Ser membro de uma igreja batista comprometido com o Evangelho integral. Servir ao Senhor com alegria e singeleza de coração, procurando ser um dizimista fiel e um investidor criativo na obra missionária. Ser um membro de família amoroso, ativo, eficiente e aglutinador. Um cidadão que ama o seu país e está comprometido com a liberdade de expressão, com a justiça social. Lutar com as armas sociais para emprego e renda. Lutar contra toda a forma de segregação racial e preconceitos. Pregar contra a imoralidade, a corrupção, a violência, o crime organizado, o tráfico de drogas, o trabalho e a prostituição infantil, a pedofilia, o aborto, o estupro e toda a sorte de erro.
Ser batista é pregar a separação entre igreja e Estado - a não-  clericalização do Estado e a não-secularização da igreja. É saber votar nas pessoas certas, para os lugares certos pelas razões certas. Pregar contra a pobreza. Eliminar o analfabetismo. Trabalhar pela educação integral e pela inclusão dos jovens carentes na universidade. Buscar uma melhor qualidade de vida administrando de forma competente o meio ambiente, implantando a coleta seletiva do lixo, o uso inteligente da água e a não poluição de córregos, rios, nascentes e mares.
Promover a educação ambiental. Trabalhar para o benefício dos mais pobres para que todos tenham acesso à água potável, energia, esgoto,  inclusão digital e todos os benefícios dos mais abastados. Apreciei muito a oração de Brennan Manning: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, oramos para que a nossa experiência de fé corresponda às declarações de crença que fazemos a teu respeito. Concede-nos a coragem de orar. Unge-nos com o espírito de compaixão para que possamos ser o que em tua paixão foste, no nosso tempo; para que sejamos pobres com os pobres, choremos com os que choram, entremos na luta da nossa geração por justiça social, tratando os outros como gostaríamos de ser tratados. Oramos pela coragem de arriscar tudo em Ti, de estarmos contigo em tua fidelidade a tua missão, nossa missão. Para isto vim ao mundo, para dizer: Eis-me aqui, Senhor, venho fazer tua vontade” (publicado em “A assinatura de Jesus”).
Ser batista é amar a obra missionária, valorizar a denominação (participando ativamente dos encontros denominacionais), participar dos movimentos missionários, de trabalhos voluntários e ajuda substancial aos mais carentes. Fazer da igreja um hospital para pecadores e não um museu para santos. Orar e trabalhar para que a igreja seja uma comunidade do perdão e da festa, koinonia pura. A comunidade do amor, do perdão e da aceitação em plena alegria. Planejar em oração cultos inclusivos, cultos espirituais nos quais as pessoas se arrependam, creiam e obedeçam de todo o coração. É ver os campos que estão brancos para a ceifa, buscando os perdidos, os párias da sociedade. Permitir ser um membro comprometido com a ética do Reino de Deus.
Ser batista é cantar um cântico novo. Celebrar a morte, ressurreição e a volta do Senhor pela prática da Ceia do Senhor e também nos cultos que enfatizam toda a obra suficiente de Cristo. Como é bom ser batista, comprometido com os princípios da Palavra de Deus! Ela é o nosso manual de fé e prática. Povo batista - transformado para transformar. Povo batista - um povo amoroso, acolhedor, visionário, trabalhador, zeloso, hospitaleiro e comprometido com a dignidade do homem, imagem e semelhança do Senhor. Ser batista é amar os perdidos, levando-lhes a Palavra do Senhor para que se convertam. Ser coerente como Cristo foi em toda a Sua vida.
OSWALDO LUIZ GOMES JACOB
Pastor, colaborador de OJB

“Os batistas brasileiros são amados e respeitados pela liderança que exercem no mundo”






Desde julho de 2006 o pastor Fausto Vasconcelos iniciou uma nova etapa em sua carreira ministerial, assumindo a Divisão de Evangelismo e Educação e a Divisão de Estudos e Pesquisas da Aliança Batista Mundial (BWA, na sigla em inglês). Nesta entrevista exclusiva a O Jornal Batista, o ex-presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) explica o trabalho da BWA, relata sua atuação nesta organização e fala do profundo respeito que a liderança dos batistas brasileiros recebe ao redor do mundo.
O Jornal Batista - O que é e o que faz a Aliança Batista Mundial?
Pastor Fausto Vasconcelos -
A Aliança Batista Mundial (BWA, na sigla em inglês) foi organizada na cidade de Londres no dia 17 de julho de 1905, oportunidade na qual aconteceu seu primeiro congresso. A inscrição para o evento alcançou a cifra de três mil mensageiros, que representavam 26 países, entre os quais estava o Brasil. Desde então, e pela graça de Deus, o ministério da BWA tem se desenvolvido de forma que, hoje, 216 convenções batistas em 119 países cooperam com o organização, num total de 37 milhões de membros de 159 mil igrejas locais. A família batista, que inclui familiares de batistas e amigos da causa batista, chega a aproximadamente 105 milhões de pessoas. om base no texto bíblico de Efésios 4.5 e tendo como tema a frase “Um só Senhor, Uma só Fé, Um só Batismo”, o ministério da BWA, através de divisões e departamentos, é estruturado em torno de cinco objetivos estratégicos: Unir os batistas através da adoração e da comunhão, liderar os batistas na evangelização e educação, defender os direitos humanos, oferecer assistência aos necessitados através de ajuda humanitária e desenvolvimento sustentável, e promover a reflexão teológica. ara ficar apenas em um desses objetivos estratégicos, a Divisão de Ajuda Humanitária Internacional da WBA entrou em cena no Haiti poucas horas após o terremoto devastador de janeiro deste ano. Batistas de todo o mundo enviaram ofertas generosas para o Haiti através da BWA. ara fins de coordenação de suas atividades junto às convenções cooperantes, a BWA conta com uma divisão em seis regiões, cada uma com seu respectivo secretário-geral: Federação Batista da Ásia e Pacífico (Bonny Resu, da Índia), Federação Batista Européia (Tony Peck, da República Tcheca), Fraternidade Batista Africana (Harrison O´lang, da Tanzânia), Fraternidade Batista Norte-americana (George Bullard, dos Estados Unidos), Fraternidade Batista do Caribe (Everton Jackson, da Jamaica) e União Batista Latino Americana (Alberto Prokopchuk, da Argentina). Tudo o que foi dito acima pode ser resumido no seguinte slogan adotado pela BWA: Aliança Batista Mundial - Sua Rede de Conexão com o Mundo!

OJB - Como tem sido sua atuação na Divisão de Educação e Evangelismo da BWA?
Pastor Fausto -
Assumi no dia primeiro de julho de 2006 a direção de duas divisões: Divisão de Evangelismo e Educação e Divisão de Estudos e Pesquisas.
O objetivo da Divisão de Evangelismo e Educação é encorajar e desafiar as convenções cooperantes com a BWA na sua tarefa de proclamar e demonstrar as Boas Novas em Cristo Jesus. Para tanto, a divisão conta com quatro grupos de trabalho: Educação Acadêmica e Teológica, Educação Cristã, Saúde e Eficácia da Igreja Local e Evangelismo e Missões.
Esses grupos desenvolvem diferentes projetos, tais como Conferência Batista Internacional de Educação Teológica, Conferência de Evangelismo e Liderança “Cristo, Água da Vida”, Fundo Batista para a Evangelização e Discipulado e Minibiblioteca pastoral (destinada aos pastores e instituições de ensino teológico em países em desenvolvimento). Já o objetivo da Divisão de Estudos e Pesquisas é estimular a discussão de assuntos relevantes aos batistas, de um modo geral nos campos da Adoração e Louvor, Doutrina Batista, História e Identidade dos Batistas, Ética Cristã e Liderança Eclesiástica. Cada uma dessas áreas é coordenada por uma comissão com o mesmo título. Gostaria de destacar duas atividades destas divisões durante o período de 2005 a 2010. O primeiro são as Conferências de Evangelismo e Liderança “Cristo, Água da Vida”. Ao todo aconteceram 19 eventos em 18 países até este momento. Em abril de 2006, realizamos uma conferência na Primeira Igreja Batista de Curitiba, com excelente representação brasileira e de vários países da América do Sul.
O culto de encerramento em Curitiba, em sua beleza e conteúdo, nunca foi superado. Aliás, assim que o culto terminou o pastor Tony Cupit, da Austrália, e coordenador internacional dessas conferências, disse-me ali mesmo no púlpito da igreja: “Jamais veremos isso numa conferência 'Cristo, Água da Vida'. De fato, nunca mais presenciamos algo tão belo e inspirativo. A última conferência será em Maputo, capital da República de Moçambique, de 20 a 23 de maio próximo. Uma grande celebração de gratidão a Deus está marcada para o 20º congresso da BWA, às 16h do dia 31 de julho. O segundo destaque é a 7ª Conferência Batista Internacional de Educação Teológica. 121 participantes, vindos de 34 países, reuniram-se no campus do Seminário Teológico Batista Internacional em Praga, capital da República Tcheca. O tema “Explorando as Fronteiras Batistas: De Amsterdã para o Futuro” foi debatido através de conferências plenárias e grupos de discussão. Várias dessas conferências foram publicadas no periódico “Perspectivas em Estudos Religiosos”, da Associação Nacional de Professores Batistas de Teologia dos Estados Unidos. Para encerrar esta resposta: É bem provável que eu esteja falando dessas duas divisões pela última vez, pois em decorrência da reestruturação que a BWA vem realizando, as Divisões de Evangelismo e Educação e a de Estudos e Pesquisa desaparecerão a partir do 20º Congresso, cedendo lugar à Divisão sobre Missão, Evangelização e Reflexão Teológica, que receberá, avaliará, e re-dimensionará as atribuições de ambas as divisões.

OJB – Na sua opinião, qual a percepção da BWA com relação aos batistas brasileiros?
Pastor Fausto -
Os batistas brasileiros são amados e respeitados pela liderança que exercem no mundo. Tomo a liberdade de destacar as áreas abaixo, servindo-me de duas obras da biblioteca da BWA: “Baptists Together in Christ 1905–2005” e o periódico “Twentieth Century Baptist”. No campo da liderança eleita pela WBA, a presença dos batistas brasileiros tem sido marcante. Demos os dois únicos presidentes latino-americanos da história da organização: João Filson Soren (1960-1965) e Nilson do Amaral Fanini (1995-2000).
Ocupamos a vice-presidência através dos seguintes líderes: Zacarias Clay Taylor (1905-1911), Francis Marion Edwards (1923-1928), Manoel Avelino de Souza (1934-1939), Rubens Lopes (1970-1975), Nilson do Amaral Fanini (1975-1980) e José dos Reis Pereira (1980-1985). Contribuímos com dois presidentes do Departamento da Juventude: Daltro Miguel Keidann (1975-1980) e Denise de Vasconcelos Araújo (desde 2008). No Departamento de Homens, o doutor Celso de Oliveira foi um dos seis primeiros vice-presidentes eleitos (1960-1965). No Departamento das Senhoras, duas líderes batistas brasileiras foram também eleitas: Esther Silva Dias, representante regional para a América Latina (1955-1960), e Marlene Baltazar da Nóbrega Gomes, membro da Comissão Executiva na capacidade de presidente da União Feminina Batista da América Latina (desde 2008).
A propósito, eu apreciaria muitíssimo se os leitores me enviassem nomes de outros batistas brasileiros eleitos pela própria BWA para cargos em sua estrutura, divisões e departamentos. Além desses nomes eleitos para funções específicas na estrutura da BWA, dezenas de batistas brasileiros têm atuado no Conselho Geral e em Comissões e Grupos de Trabalho. Os seguintes líderes representam a Convenção Batista Brasileira no Conselho Geral: Carlito Machado Paes, Donaldo Guedes dos Santos, Luiz Roberto Soares Silvado, Maria Bernadete da Silva, Norton Riker Lages e Ronaldo Peryles dos Santos. A irmã Bernadete é também co-relatora do Grupo de Trabalho “Educação Cristã”, da Divisão de Evangelismo e Educação. O pastor Waldemiro Tymchak participou ativamente do Conselho Geral neste quinquênio até sua convocação à presença do Senhor. A Convenção Batista Nacional (CBN) também é membro cooperante da Aliança Batista Mundial, e conta com representantes atuantes no Conselho Geral. Salvo engano de minha parte, os seguintes líderes representam a CBN: Cláudio Espíndola, José da Silva, Lucy-Mar Campos e Ronald Carvalho. Encontrá-los e desfrutar da comunhão com eles nos eventos da BWA é sempre motivo de regozijo espiritual. No campo dos eventos, sediamos a 4ª Conferência Mundial da Juventude Batista (1953), o 10º Congresso da Aliança Batista Mundial (1960) e a Reunião Anual do Conselho Geral (2003). O 10º Congresso, de 26 de junho a 3 de julho de 1960, deixou marcas indeléveis na história da BWA. Com 12.688 mensageiros inscritos, ele foi, até então, o maior congresso realizado fora dos Estados Unidos. Nas palavras do doutor Duke K. McCall, que seria eleito presidente da Aliança 20 anos depois, “o perfil da BWA como uma organização genuinamente internacional foi o resultado mais óbvio desse congresso” (declaração publicada na página 134 de “Baptists Together in Christ). Já o periódico “The Twentieth Century Baptist” (setembro de 1960) assim comenta a eleição do doutor Soren como presidente da Aliança: “João F. Soren, da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, é o novo presidente da Aliança Batista Mundial. Sua eleição pelo 10º Congresso assinala a primeira vez em que a liderança foi entregue a uma pessoa fora do bloco anglo-americano-canadense”. O culto de encerramento do evento no Maracanã, na tarde do dia 3 de julho e com a presença de aproximadamente 200 mil pessoas, foi, e continua a ser, o maior da história da Aliança. O mesmo periódico citado há pouco traz a seguinte declaração sobre o culto: “Foi um culto notável, inesquecível como o Dia de Pentecostes, uma coroa de aprovação por parte Deus do testemunho fiel da Aliança Batista Mundial”. No campo de Evangelização e Missões, nossas iniciativas através das Juntas de Missões Nacionais e Mundiais têm sido amplamente reconhecidas. Além disso, líderes batistas brasileiros têm como que “encarnado” evangelização e missões perante os batistas de todo o mundo. No sermão do presidente proferido perante o 11º Congresso, realizado em Miami Beach em 1965, o pastor João Filson Soren conclamou os batistas de todo o mundo a “se engajarem unidos e com um só coração numa campanha liderada pelo Espírito Santo, que galvanizará numa ação evangelizadora militante” as forças cristãs do mundo. Ele exortou a todos a “um impulso poderoso na obra de evangelização mundial” (“Twentieth Century Baptist”, de setembro de 1965). O pastor Rubens Lopes, então presidente da CBB, expôs ao plenário da última sessão do congresso de 1965 a ideia de uma campanha de evangelização para as Américas em 1969, que serviria de trampolim para um movimento mundial de evangelização a partir de 1975. Fato possivelmente pouco conhecido é que a Fraternidade Batista do Caribe nasceu como resultado direto da Campanha das Américas. Por falar no pastor Rubens Lopes, ele foi homenageado durante a reunião anual do Conselho Geral em julho passado, na cidade de Ede, na Holanda, como um dos grandes pregadores batistas dos 400 anos de nossa história denominacional. Por solicitação do secretário-geral da BWA, o ministro de música Donaldo Guedes dos Santos leu um trecho do sermão “Crer para Ver”, enquanto a foto do pastor Rubens Lopes era projetada para o plenário. O pastor David Gomes foi eleito relator regional para o Brasil na Campanha Mundial de Evangelização: “Reconciliação por meio de Jesus Cristo 1973-1975”. Sua atuação à frente da Junta de Missões Nacionais, seu ministério pastoral e sua paixão como evangelista no Brasil e no exterior, há muito haviam chamado a atenção dos batistas do mundo antes de ele ser conduzido a essa função. Também a ênfase da presidência do pastor Nilson do Amaral Fanini foi inegavelmente evangelizadora. Eis o que afirma o livro “Baptists Together in Christ 1905-2005” (página 276): “Quando Nilson do Amaral Fanini foi eleito no Congresso de Buenos Aires em 1995, ninguém ficou surpreso quando ele anunciou que o evangelismo seria o seu foco principal como presidente da Aliança Batista Mundial. Fanini é um evangelista de renome mundial. Ele viajou o mundo todo, saudando os batistas e levando as Boas Novas de Cristo para quantos ainda não as conheciam”. Além disso, o pastor Waldemiro Tymchak figura entre os grandes líderes missionários dos batistas. Seu falecimento causou grande consternação no mundo batista. Em minhas viagens durante o período que antecedeu a eleição do pastor João Marcos Barreto Soares como diretor executivo da Junta de Missões Mundiais foi comum receber indagações sobre o andamento do processo sucessório. Essas indagações eu as recebi como expressão do amor e do respeito dos batistas do mundo por nossa liderança na obra missionária, particularmente através da atuação do pastor Tymchak.

OJB - Como o senhor avalia a chegada do pastor Raimundo César à BWA?
Pastor Fausto -
O pastor Raimundo César Barreto Júnior fez história na BWA ao ser eleito o primeiro diretor da recém-criada Divisão de Liberdade e Justiça. O secretário-geral da BWA, Neville Callam, ficou muito bem impressionado com o pastor Raimundo César ao examinar seu extenso currículo, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente. À medida que os contatos foram sucedendo-se e o processo de eleição foi desenrolando-se o doutor Callam ficou ainda mais entusiasmado com a capacidade, a experiência e a visão do pastor Raimundo, tendo deixado bem claro que o pastor Raimundo é a pessoal ideal para conduzir essa nova divisão. A eleição do pastor Raimundo é mais uma evidência do carinho, do reconhecimento e do respeito com que os batistas brasileiros são tratados pelos batistas do mundo. Pessoalmente, Dione e eu temos desfrutado do convívio feliz e agradável com o pastor Raimundo César, da irma Eliã e de seus filhos, Kauã e Luana.

OJB - Em sua opinião, quais devem ser os principais desafios do pastor Raimundo na Divisão de Liberdade e Justiça da BWA?
Pastor Fausto -
Desde sua organização, em 1905, matérias relativas à justiça e aos direitos humanos têm tido prioridade na agenda da BWA. O estatuto da organização afirma que um de seus objetivos é “atuar como agência de reconciliação na busca da paz para todos os seres humanos e defender os direitos humanos, incluindo a completa liberdade”. Em 1947, a BWA nomeou uma comissão especial intitulada “Comissão sobre Liberdade Religiosa”, composta de sete membros. Essa decisão deu um perfil estrutural ao interesse da BWA na área da defesa da liberdade religiosa. Coube ao então secretário-geral da BWA, Denton Lotz, iniciar a discussão formal sobre a criação de uma Divisão de Liberdade e Justiça. Esse sonho tornou-se realidade no dia 1º de setembro de 2008, após decisão unânime do Conselho Geral da BWA em Praga, República Tcheca, em julho do mesmo ano. Através da Divisão de Liberdade e Justiça, a Aliança Batista Mundial promove o respeito pelos direitos humanos, especialmente a liberdade religiosa, como também o respeito e exercício da justiça em todas as esferas da vida humana, como valores fundamentados nas Escrituras e, por consequência, na fé exercitada pela igreja. O pastor Raimundo César, que iniciou seu ministério aqui em março último, contará com a assessoria de quatro comissões: Liberdade Religiosa, Paz, Justiça Ambiental e Social, e Defesa dos Direitos Humanos. Seu desafio principal certamente será operacionalizar a implantação dessa divisão recém-criada pela Aliança Batista Mundial.

OJB - Que palavra o senhor deixa aos batistas brasileiros?
Pastor Fausto -
Antes de tudo, agradeço a gentileza e o carinho de O Jornal Batista de abrir este espaço. Dione e eu aqui estamos desde abril de 2006, mas a distância geográfica e o fuso horário não diminuem nosso amor e nossa saudade do Brasil, particularmente dos batistas brasileiros. Em nome dos batistas do mundo, agradeço às igrejas batistas do Brasil - Convenção Batista Brasileira e Convenção Batista Nacional - a sua participação no ministério internacional da Aliança Batista Mundial por intermédio da contribuição fiel, generosa e sistemática através dos respectivos Planos Cooperativos convencionais. Se essa participação no Plano Cooperativo já está sendo efetuada, as igrejas batistas no Brasil podem considerar a possibilidade de ampliar o alcance mundial de seu ministério, participando do programa BWA Global Partners - Parceiros Mundiais da Aliança Batista Mundial. É uma oportunidade a mais para que cada igreja batista no Brasil prossiga além das fronteiras do seu bairro, de sua cidade, do seu estado e do próprio território nacional. Além disso, o pastor Raimundo César e eu nos colocamos ao inteiro dispor dos batistas brasileiros aqui na BWA. Ficaremos felizes em servi-los naquilo que Deus nos permitir. Um abraço final com um recado para todos: O pastor Raimundo César e Eliã, Dione e eu esperamos encontrar uma grande delegação brasileira no 20º Congresso da BWA, que acontecerá no Havaí de 28 de julho a 1º de agosto. Será uma oportunidade imperdível para desfrutarmos da comunhão e da camaradagem com batistas de todo o mundo, sob o tema “Ouvi o Espírito Santo!”.
FÁBIO AGUIAR LISBOA
Editor de OJB

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Uma história de fé, futebol e vitórias







No dia 11 de maio, o jogador Lucimar Ferreira da Silva teve finalmente a certeza de que estará na África do Sul para defender as cores da seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2010, pois o nome dele estava entre os dos 23 convocados por Dunga para representar o Brasil nesta competição.
Durante os últimos anos, Lucimar, que é popularmente conhecido como Lúcio, tem sido um dos protagonistas da equipe de futebol masculino do Brasil. Ele, que atua na Inter de Milão (Itália), é considerado um dos melhores zagueiros do mundo na atualidade e ocupa a posição de capitão da seleção brasileira.Em campo, Lúcio é conhecido por força física, seriedade e raça. Porém, fora dos gramados ele, que no Brasil frequenta uma igreja batista, se mostra uma pessoa afável, que valoriza a família e que é comprometida com Deus.
Em meio à expectativa do início da próxima Copa do Mundo, na qual o Brasil tentará conquistar seu sexto título mundial, O Jornal Batista conversou com Lúcio, que falou das expectativas para o próximo Mundial, das vitórias que já alcançou (como a obtida na Copa das Confederações de 2009) e de seu relacionamento com Cristo Jesus.

OJB - Você sonhava em ser um jogador de futebol quando era criança?
Lúcio -
Eu, como todas as crianças no Brasil, sempre gostei de futebol. Para mim, jogar futebol sempre foi uma alegria, sempre foi um sonho. Porém, não podia imaginar que chegaria onde cheguei: Jogar na seleção e em um grande clube da Europa. Viver isto hoje me deixa muito feliz e grato. Reconheço a mão e o poder de Deus na minha vida e trabalho.

OJB - Como foi a sua primeira convocação?
Lúcio -
Eu estava com a minha esposa quando fui convocado pela primeira vez. Acho que foi em setembro de 2000. Sem dúvida alguma, foi uma emoção muito grande receber aquela notícia. Eu e minha esposa choramos muito, compartilhando um momento muito bom de alegria. Hoje tenho muitos jogos pela seleção, mas, sem dúvida, o primeiro foi muito bom, foi a realização de um sonho. Sem dúvida alguma, vemos neste sonho a mão de Deus.

O Jornal Batista - Você acaba de ser convocado para defender o Brasil na Copa do Mundo.  Como você encara este desafio?
Lúcio -
Nossa vida é feita de sonhos e desafios. Sem dúvida alguma, este também é um sonho que tenho: Disputar a Copa do Mundo pela seleção do meu país.

OJB - Na sua opinião, quais devem ser os maiores adversários do Brasil na próxima Copa? Por que?
Lúcio -
O Brasil tem uma grande tradição. Entretanto, sempre podem surgir surpresas com equipes como Espanha, Inglaterra, Argentina e França na Copa.

OJB - Você é o atual capitão da seleção brasileira. O que representa ser o capitão de um time de futebol?
Lúcio -
O papel do capitão, primeiramente, é procurar passar para os companheiros um espírito de equipe e um espírito de disciplina. Dentro da seleção brasileira é poder motivar os companheiros, manter um grupo saudável de amizade e dentro dos jogos passar motivação, sempre falar positivamente, sempre acreditar até o último minuto, além de ser profissional em cada treinamento e jogo. Sem dúvida alguma, acho que o papel do capitão e de todos os outros líderes é fundamental.

OJB - Como foi a experiência de conquistar a Copa das Confederações em 2009 na África do Sul?
Lúcio -
Foi um momento muito especial para mim. Uma grande experiência profissional. Além disso, pude ver a mão de Deus atuando claramente na minha vida naquele momento. Sabemos que na seleção brasileira cada jogo é uma cobrança e uma disputa muito grande. Além das cobranças da seleção brasileira, eu passava por uma fase de transição em meu clube (na época o Bayern de Munique, da Alemanha) com um novo treinador. Porém, graças a Deus, no final pude ver a misericórdia e a graça de Deus para com a minha vida.
Na final da competição, cheguei a pensar em alguns momentos que o Brasil não poderia sair campeão diante dos Estados Unidos, principalmente quando estávamos perdendo de 2 a 0. Era um momento difícil, mas eu reconheço a ação de Deus naquele momento, pois mantivemos a calma e continuamos lutando e jogando. Assim, no final viramos o jogo (o Brasil venceu a partida no final por 3 a 2 e conquistou a competição). Sem dúvida, não conseguiríamos fazer isto sozinhos.
Acredito que a fé que tivemos naquele momento foi fundamental e, acima de tudo, reconhecemos o poder de Deus atuando sobre nossas vidas naquele momento. No final demos glórias a Deus, o que é mais do que justo por aquilo que Ele fez nas nossas vidas, e naquele jogo em especial.

OJB - Qual o sentimento de marcar o gol que garantiu o título da Copa das Confederações?
Lúcio -
Aconteceu em um momento decisivo, no qual o jogo estava empatado. Foi realmente especial marcar, no finalzinho do jogo, o gol que deu a vitória e o título ao Brasil, o meu primeiro título como capitão da seleção brasileira. Este foi um momento no qual pude ver mesmo a mão de Deus, a misericórdia de Deus na minha vida pelo momento que passava. Naquele momento só podia agradecer a Deus e glorificar a Ele junto com os companheiros, comemorar aquele momento tão grandioso na minha vida e na vida de todos nos que estavam ali. Este foi um momento espetacular de minha carreira.

OJB - Sabemos que na seleção há muitos jogadores cristãos. É comum vocês terem momentos de culto juntos? Como eles acontecem?
Lúcio -
Graças à Deus temos muitos jogadores evangélicos na seleção. Respeitando os horários e programações, sempre separamos um dia na semana para lermos juntos a Bíblia, além de orar.

OJB - Como é a sua relação pessoal com Deus? O que Ele representa para você?
Lúcio -
Procuro ter um relação diária com Deus, pois sei que Ele sabe o que é melhor pra mim em todas as situações. Ele representa vida, amor e paz. É a nossa salvação. Ele me ama incondicionalmente e me faz feliz.
A diferença de ter Jesus no coração está no fato de que no mundo aí fora você vale o que você é, o que você tem. Para Jesus, independentemente do que você tem ou do que você é, ou de onde você joga, ou do que você faz, independentemente do seu trabalho, da sua profissão, Jesus te ama da mesma forma. Eu vejo esta verdade tanto quando eu venço como quando eu perco, quando eu chego em casa depois de uma partida ruim, onde não conseguimos vencer, onde até mesmo eu falho às vezes. Então, para Deus, eu continuo a ser o mesmo. Ele me ama da mesma forma. Acredito que esse é o verdadeiro amor, e isso me motiva, motiva minha família, a buscar a direção de Deus a cada dia.

OJB - Como você entregou sua vida a Jesus?
Lúcio -
Quando adolescente, passei a ir à igreja com minha mãe e comecei minha caminhada com Cristo. Porém, só fui batizado em 1998, no mesmo ano do meu casamento.
Deus me mostrou que Ele pode me levar muito além daquilo que eu penso. Às vezes pensamos em coisas muito simples. Porém, Deus tem planos muito maiores para nós. Foi através das experiências com Deus que eu pude aceitar Jesus e saber que Deus tem uma obra muito grande na minha vida. Sem dúvida alguma, hoje posso dizer que Deus tem feito coisas na minha vida que eu nem imaginaria: Como ser um jogador profissional em grandes equipes, conquistar títulos, ter uma esposa, ter filhos saudáveis e poder ter filhos que estão também caminhando pelo mesmo caminho de aceitar Jesus.

OJB - Quais os desafios que o cristão enfrenta no mundo do futebol?
Lúcio -
Penso que isso é muito particular. Para mim é manter o equilíbrio em meio a tantas coisas: Assédio, fama, dinheiro, etc. Creio que a sabedoria que vem de Deus é fundamental para alcançar esse equilíbrio.

OJB - Como equilibrar o futebol e a família?
Lúcio -
É difícil, pois o futebol exige muito às vezes, então eu trabalho para deixar o futebol um pouco de lado quando chego em casa. Assim concento minha atenção na minha esposa e em meus filhos. Acredito que isso também alegra o coração de Deus, quando cuidamos bem da esposa e filhos, que são presentes de Deus para mim.

OJB - Você frequenta alguma igreja na Itália? E no Brasil?
OJB -
Aqui na Itália ainda não. Na Alemanha frequentava a Assembleia de Deus. No Brasil somos membros da igreja batista. A Bíblia é o manual de vida de minha família. É uma forma de aprender mais sobre a vontade de Deus, além disso ela apresenta o melhor caminho para viver e nos mostra o que é realmente importante na vida.

FÁBIO AGUIAR LISBOA e STUART WEIR. Esta matéria é composta por duas entrevistas dadas pelo zagueiro Lúcio: Uma para o editor de OJB, Fábio Aguiar Lisboa, e outra para Stuart Weir, da Verité Sports e que gentilmente cedeu seu material para OJB. 
CLIQUE AQUI PARA BAIXAR A TABELA DA COPA DO MUNDO: http://www.baixatudo.com.br/tabela-da-copa-do-mundo-2010

25 de fevereiro de 2010

TESTEMUNHO



PERSONAGENS:

· Ex-prostituta - convertida, 24

· Aidético - muito magro, 23 - pode estar acompanhado de uma enfermeira

· Cristão - muito alegre, 19

· Ex-alcoólatra - mais maduro, 32

· Barman

Cenário: ma bar, com 5 mesas e cadeiras e um balcão de bar, com algumas garrafas e copos.

Cada ator estará em uma mesa separada, e o barman no balcão, sempre o limpando e arrumando, e preparando bebidas. A cada fala sua, entrega um copo com um suco para a personagem referida.

Aidético (luz amarela - vai até o centro do palco em uma cadeira de rodas e levanta-se).

" Mulher! Olha este menino, só brinca de boneca! É preciso dar um jeito nele, parece um maricas!" (senta-se)

Mas nunca se importaram com o que se passava dentro de mim. História! Gostava de brincar de bonecas, sim! Fazer o quê? Era criança! Eu fazia o que sentia vontade, sempre me acertei mais com as meninas... os meninos eram brutos, violentos e só queriam jogar. Eu era diferente deles... e eu não me sentia culpado por isso! Só que foi se tornando cada vez mais forte, e eu fui perdendo o controle. (volta para a mesa na cadeira de rodas)

Ex-prostituta (luz rosa - desce do palco e refere-se a alguém da platéia)

"E aí, gato? Algum programa para esta noite? Satisfação garantida!"

(vai voltando à boca de cena enquanto fala)

Repeti essa frase milhares de vezes, acho que até muito mais, embora nem sempre fosse para um gato como ele (aponta para a pessoa na platéia). Às vezes apareciam uns velhos, gordos e bêbados. Tudo bem, era a minha profissão, tinha que dar prazer a quem quer que fosse. Não que eu gostasse do que fazia, sabe, mas já era costume, como muitos professores que queriam ser cantores mas continuaram sendo professores por muitos e muitos anos; ou ainda como muitos médicos que sonharam em ser dublês mas continuam sendo médicos; como advogados que queriam ser locutores ou locutores que queriam ser advogados... a verdade é que ficam anos trabalhando no que não gostam simplesmente por hábito. E eu era mais uma acomodada no hábito da profissão. (senta-se)

Cristão (luz verde - andando entre as mesas)

"Se as águas do mar da vida, quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai. Segura na mão de Deus,..." Não conseguia ver verdade nisso, estava longe demais. Cresci ouvindo essa canção, mas eu me sentia completamente alienado, um peixe fora d'água. E pior é que eu me sentia culpado! Não podia ser assim, mas era, fazer o quê? Eu até queria sentir-me integrado, mas não dava; eu até gostava do pessoal, mas me acertava mais com a galera do barulho, tinha minha turma certa... às vezes até rolava uma erva, mas ninguém podia ficar sabendo! E no domingo, eu estava lá... "Segura na mão de Deus, segura na mão de Deus..." (senta-se)

Ex-alcoólatra (levanta e vai cambaleando até a frente da mesa) "Homem pra ser muito homem tem que beber sem parar, falar mais alto em casa..." (volta ao estado de sobriedade) Meu primeiro porre foi quando eu ainda era uma criança, não que eu tivesse bebido muito, mas o suficiente, para uma criança de oito anos... Meu pai queria mostrar aos amigos que eu já era homem. Se grau de macheza se mede pela quantia que se empina, eu já fui muito macho. Agora não sou mais, mas já fui. Martini, vodka, run, vermut... Misturava tudo, perdi tudo... Tinha quem dizia que era doença, tinha quem dizia que era pura sem-vergonhice. A verdade é que eu já amanhecia bêbado. Vermut, run, vodka, martini...

Barman: Você já disse isso...

Ex-alcoólatra: tá! É que agora eu disse de trás pra frente...

Barman: Ah! bom.

Aidético (luz azul - levanta-se) "Nossa, como ele é delicado, sensível!" Com 16 anos conheci um rapaz; não podendo fazer nada, investi na relação. Quando Marcelo percebeu que eu gostava dele começou a evitar-me, mas eu ligava para ele, mandava cartões, cartas, até que começamos a nos encontra, escondidos, claro. Ficamos juntos por um ano, depois ele começou a bater em mim. Passava as noites em festas, e eu em casa, chorando... Estava sofrendo muito, resolvi deixá-lo e voltei para a casa de meus pais que, a essa altura, não tavam nem aí. papai só trabalhava, e mamãe só tomava chá e telefonava; e eu fiquei dois anos só assistindo televisão. Tinha uma única amiga, e ela me convenceu a fazer o teste de HIV. tinha medo, mas fiz. Deu positivo...(a luz apagada, ele volta para a mesa)

Ex-prostituta (luz rosa, encostada no balcão) "Não, por favor, eu não quero! Não faça isso!.." Meu padrasto foi um animal. Eu tinha 12 anos, ia fazer o que agora?(vai até a boca do palco) E aí gato, algum programa para hoje? Satisfação garantida!(vai voltando enquanto o barman fala)

Barman: Você já disse isso.

Ex-prostituta: Ai, desculpe. É que por tantos anos repeti essa mesma frase... É o hábito! Com 12 anos fui para a rua, não podia mais encarar aquele monstro em minha casa... sentia-me sozinha no mundo. Comecei a trabalhar com minha famosa frase, e assim tentava diminuir a minha solidão.

Cristão (luz verde, segredando escandalosamente) "Mas como é que pode! O Anderson, logo ele, filho de pastor... isso não podia acontecer..." Eu sou uma pessoa normal, e como todos, também peco. Ninguém pode sentir o que os outros querem que a gente sinta. E fui a muitas festas, às vezes perdia o controle, excedia-me na bebida, o baseado era cada vez mais freqüente; chegava sempre de madrugadão, olhos vermelhos, dormia na escola, as notas caindo vertiginosamente... Mas eu arrasava com a mulherada. A danceteria era pequena pra mim, e o pessoal da igreja apavorado. Mas o problema era quando eu ficava sozinho, em meu quarto...

Ex-alcoólatra (luz roxa - junto à primeira fila) "Tem uns trocados para me dar? Tenho que comprar leite para os meus filhos. (Vira-se para outra pessoa) Ei moço! Tem 50 centavos aí? (vai voltando ao palco) Eu preciso de uns trocados..." Já passei por cada situação que nem é bom lembrar; isso sem falar das que eu realmente não me lembro, nem que eu quisesse. Cansei de vomitar pelas esquinas, fazer xixi por todos os cantos. Fiquei pelas sarjetas chorando minha má sorte; meu cérebro já não funcionava para mais nada, só lembrava das cenas de meu pai batendo em minha mãe. Meus olhos viam tudo duplicado, isso sem falar nas terríveis dores de estômago. Sentia meu fim próximo, isso com 28 anos...

Aidético (luz branca) Há quem ache que Aids é um castigo de Deus, mas eu não a vejo mais assim. Falo não mais por que antes eu a via assim mesmo, o piro castigo do mundo. Mas quem conhece um pouquinho a Deus sabe que Ele nos ama demais para nos castigar assim. Um dia Ele disse: "Tudo te é permitido, mas nem tudo te convém". É, e se você faz algo que não convém, deve arcar com as conseqüências depois. Regras são regras. Sei que Deus me ama como ninguém e Ele não queria que eu fosse um aidético esperando pela morte, mas quebrei um regra imposta. Não é castigo, é justiça de Deus. Sei que logo estarei com Ele, em um lugar sem dor e sem doenças.

Ex-prostituta (luz branca- ainda na mesa) Sabe o que eu fico pensando? Por que não há prostitutas nas igrejas? levanta-se) As prostitutas são tão carentes e nem imaginam que são amadas por Deus. (Pausa) Ei gato!

Barman: Ah, de novo não...

Ex-prostituta:(para o barman) Desculpe, mas tente me entender... O preconceito impede que olhemos com carinho para elas; são completamente marginalizadas. Elas são amadas, mas não sabem disso, pois não há quem lhes fale desse amor. Minha vida mudou completamente, o meu corpo, que alimentava a mim e aos outros, e não tinha nenhum valor, hoje é templo do Espírito Santo. Sinto-me purificada pelo sangue do Justo. Por que outras não podem sentir como eu me sinto hoje?

Cristão: Hoje eu continuo gostando de rock, para mim não há música mais alegre do que esta. Não sei como passei tantos anos numa igreja, cego, sem ver o que agora eu vejo. Ainda bem que Cristo mostrou-me a real alegria antes, senão poderia ter sido bem pior. Glória a Deus por ter mudado a minha vida. Dois dos meus antigos amigos hoje tocam comigo em uma banda evangélica, e os outros, infelizmente, continuam freqüentando os clubes da cidade.(vai saindo e vira-se para o público) Ah, e hoje, quando chego em meu quarto, durmo em paz, plena paz.

Ex-alcoólatra: Foi difícil, muito difícil, até que vi a mão de Deus na mão de um homem. Na verdade, Deus não possui outras mãos senão as humanas para demonstrar todo seu amor. Resolvi estender minha mão à única mão que fora estendida a mim, até então. Foi um processo difícil: tremia, vomitava, sangrava, tinha convulsões, precisava desintoxicar-me. E a mão esteve sempre comigo. Cristo me dava esperança para continuar, acreditar que minha vida não precisava ser aquela miséria que vinha sendo. Que mais mão estejam à disposição para demonstrar o amor de Deus.

Barman: Ê amigo, não vai vacilar, hein!

Ex-drogado(p/ o barman) Sem chances! (p/ o público)Deus me sustém!(senta)

(todos congelam em suas mesas. O barman prepara uma bebida, vai até a boca do palco, iluminado por um foco de luz branca)

Barman: Que sabor você quer? (tempo) Para sua vida?

(luzes apagadas, todos levantam e saem)


22 de janeiro de 2010

As 95 Teses afixadas por Martinho Lutero na Abadia de Westminster a 31 de outubro de 1517


As 95 Teses afixadas por Martinho Lutero na Abadia de Westminster a 31 de outubro de 1517, fundamentalmente "Contra o Comércio das Indulgências"
Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade, discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. Padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.
Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
1ª Tese
Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos... etc., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo e ininterrupto arrependimento.
2ª Tese
E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo dos sacerdotes.
3ª Tese
Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de mortificação da carne.
4ª Tese
Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até à entrada para a vida eterna.
5ª Tese
O papa não quer e não pode dispensar de outras penas além das que impôs ao seu alvitre ou nem acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese
O papa não pode perdoar dívida, senão declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus, ou então o faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida em absoluto deixaria de ser anulada ou perdoada.
7ª Tese
Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao ministro, seu substituto.
8ª Tese
Cânones poenitentiales, que são as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas são impostos aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese
Eis por que o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluindo este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema.
10ª Tese
Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõe aos moribundos penitências canônicas ou para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese
Este joio, que é o de transformar a penitência e satisfação, prevista pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado enquanto os bispos dormiam.
12ª Tese
Outrora canônica poenae, ou seja, penitência e satisfação por pecados cometidos, eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese
Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese
Piedade ou amor imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte, necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menos o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese
Este temor e espanto em si tão só, sem nos referirmos a outras coisas, basta para causar o tormento e o horror do purgatório, pois se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese
Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese
Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese
Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas razões e nem pela Escritura, que as almas do purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese
Parece ainda não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem mais por ela, não obstante nós termos esta certeza.
20ª Tese
Por isso o papa não quer dizer e nem compreender com as palavras “perdão plenário de todas as penas” o perdão de todo o tormento, mas tão só as penas por ele impostas.
21ª Tese
Eis por que erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante indulgência do papa.
22ª Tese
Com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas do purgatório das que, segundo os cânones da igreja, deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese
Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muitos poucos.
24ª Tese
Logo, a maioria do povo é ludibriado com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese
Exatamente o mesmo poder geral que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d’almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese
O papa faz muito bem em não conceder o perdão às almas em virtude do poder das chaves (coisa que não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese
Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese
Certo é que, no momento em que a moeda soa na caixa, vem lucro, e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese
E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com S. Severino e Pascoal.
30ª Tese
Ninguém tem certeza da suficiência do arrependimento e pesar verdadeiros, muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese
Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese
Irão para o diabo, juntamente com os seus mestres, aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese
Há que acautelar-se muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dádiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese
Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória, estipulada por homens.
35ª Tese
Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese
Tudo o cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese
Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese
Entretanto se não devem desprezar o perdão e a distribuição deste pelo papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão consiste numa declaração do perdão divino.
39ª Tese
Ë extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e, ao contrário, o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese
O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo; mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para tanto.
41ª Tese
É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal, para que o homem singelo não julgue erradamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgências de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos, proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta ao necessitado do que os que compram indulgência.
44ª Tese
É que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com
indulgências, não adquire indulgência do papa, mas desafia a ira de Deus.
46ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura, fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos ser a compra de indulgência livre e não ordenada.
48ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgência, preferiria ver a basílica de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese
Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por um dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgência, vendendo, se necessário, a própria basílica de São Pedro.
52ª Tese
Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências e o próprio papa oferecessem sua alma como garantia.
53ª Tese
São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese
Comete-se injustiça contra a palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da palavra do Senhor.
55ª Tese
A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a coisa menor, com um toque de sino, uma pompa, uma cerimônia, enquanto o evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem toques de sino, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese
Os tesouros da igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecidos na Igreja de Cristo.
57ª Tese
É evidente que não são bens temporais, porquanto muitos pregadores não os distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese
Também não são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto este sempre são suficientes, e, independente do papa, operam graça do homem interior e são a cruz, a morte e o inferno do homem exterior.
59ª Tese
São Lourenço chama aos pobres, os quais são membros da Igreja, tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese
Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, que lhe foram dadas pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese
Evidente é que, para o perdão das penas e para a absolvição em determinados casos, o poder do papa por si só basta.
62ª Tese
O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese
Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese
Enquanto isso o tesouro das indulgências é notoriamente o mais apreciado, porque faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese
Por essa razão os tesouros evangélicos foram outrora as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese
Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese
As indulgências, apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça, decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese
Nem por isso semelhante indulgência é a mais ínfima graça, comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese
Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda reverência.
70ª Tese
Entretanto tem muito maior dever de conservar abertos os olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não apregoem os seus próprios sonhos.
71ª Tese
Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
72ª Tese
Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
73ª Tese
Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese
Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob pretexto de indulgências, prejudicam a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agirem.
75ª Tese
Considerar a indulgência do papa tão poderosa, a ponto de absolver alguém dos pecados, mesmo que (coisa impossível de se expressar) tivesse deflorado a mãe de Deus, significa ser demente.
76ª Tese
Bem ao contrário afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo pode anular o menor pecado venial no que diz respeito a culpa que representa.
77ª Tese
Afirmar que nem mesmo São Pedro, se no momento fosse papa, poderia dispensar maior indulgência, constitui insulto contra São Pedro e o papa.
78ª Tese
Dizemos, ao contrário, que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o evangelho, dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1 Corinto 12.6-9.
79ª Tese
Alegar ter a cruz de indulgências, erguida e adornada com as armas do papa, tanto valor como a própria cruz de Cristo é blasfêmia.
80ª Tese
Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas desta atitude.
81ª Tese
Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a indulgência, torna difícil até homens doutos defenderem a honra e dignidade do papa contra a calúnia e as perguntas mordazes e astutas dos leigos.
82ª Tese
Haja vista exemplo como este: Por que o papa não livra duma só vez todas as almas do purgatório, movido pela santíssima caridade e considerando a mais premente necessidade das mesmas, havendo santa razão para tanto, quando, em troca de vil dinheiro para a construção da basílica de São Pedro, livra inúmeras delas, logo por motivo bastante infundado?
83ª Tese
Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para esse fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou prebendas oferecidos em favor dos mortos, quando já não é justo continuar a rezar pelos que se acham remidos?
84ª Tese 
 Que nova santidade de Deus e do papa é esta a consentir a um ímpio e inimigo resgate uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não livrar esta mesma alma piedosa e amada por Deus do seu tormento por amor espontâneo e sem paga?
85ª Tese
 Por que os cânones de penitência, isto é, os preceitos de penitência, que faz muito caducaram e morreram de fato pelo desuso, tornam a remir mediante dinheiro, pela concessão de indulgência, como se continuassem em vigor e bem vivos?
86ª Tese
E: Por que o papa, cuja fortuna é maior do que a de qualquer Creso, não prefere construir a basílica de São Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de cristãos pobres?
87ª Tese
E: Que perdoa ou concede o papa pela sua indulgência àqueles que pelo arrependimento completo tem direito ao perdão ou indulgência plenária?
88ª Tese
Afinal: Que benefício maior poderia receber a igreja se o papa, que atualmente o faz uma vez ao dia cem vezes ao dia concedesse aos fiéis este perdão a título gratuito?
89ª Tese
Visto o papa visar mais a salvação das almas mediante a indulgência do que o dinheiro, por que razão revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, quando tem sempre as mesmas virtudes?
90ª Tese
Desfazer estes argumentos muito sutis dos leigos, recorrendo apenas à força e não por razões sólidas apresentadas, significa expor a igreja e o papa ao escárnio dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese
Se, portanto, a indulgência fosse apregoada no espírito e sentido do papa, estas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese
Fora, pois, com todos este pregadores que dizem à igreja de Cristo: Paz! Paz! Sem que haja paz!
93ª Tese
Abençoados, porém, sejam todos os pregadores que dizem à igreja de Cristo: Cruz! Cruz! Sem que haja cruz!
94ª Tese
Admoeste-se os cristãos a que se empenhem em seguir seu Cabeça, Cristo, através da cruz, da morte e do inferno;
95ª Tese
E desta maneira mais esperem entrar no reino dos céus por muitas aflições do que confiando em promessas de paz infundadas.

5 de dezembro de 2009

LUTERO EM FAMÍLIA

Dia 31 de outubro, comemoramos o 491° da Reforma Protestante. Um marco importante não somente para a história do cristianismo, mas para toda a humanidade.

Muitas vezes preocupamo-nos em estudar a vida dos grandes homens com ênfase somente nos seus pensamentos. Esquecemos de detalhes da vida em família. Gosto de ler a biografia e observar como viviam em família.

É muito interessante, por exemplo, conhecer um detalhe da vida, em família, de Martinho Lutero.

Os pais do grande reformador alemão Martinho Lutero desejavam uma boa carreira para seu filho, nascido no dia 10 de novembro de 1483, em Eisleben. Seu pai, homem simples, trabalhava em minas, tinha grandes sonhos para seu filho. Em busca desses sonhos, logo que Lutero nasceu, a família se mudou para Mansfeld, com o intuito de dar uma boa formação na área do direito. Enquanto se preparava para ser um brilhante advogado, a morte de um amigo e uma tempestade, quando um raio quase lhe tirou a vida, foram usados por Deus para dar uma guinada em sua trajetória.

Preocupado com sua salvação, Lutero deixou o curso de direito e ingressou no mosteiro dos eremitas agostinianos. A partir dali, Deus começou a falar ao seu coração sobre a justificação pela fé e a não se conformar com as orientações religiosas do seu tempo, até que rompeu com a Igreja Católica de sua época e começou a liderar um grande movimento, que mudou a história: a Reforma Protestante.

Os filhos, como dizem as Escrituras, “são herança do Senhor” (Sl 127.3). Devemos, como pais, esforçar-nos para dar-lhes o melhor. Podemos ter sonhos para eles, mas como pais cristãos devemos sempre orar para que sejam usados por Deus e deixar que o próprio Senhor conduza suas vidas. Os pais de Martinho Lutero desejavam que seu filho fosse um brilhante advogado, mas Deus tinha algo muito mais sublime para ele. Não é errado ter sonhos para nossos filhos, mas o mais importante é desejar no coração que os sonhos de Deus para suas vidas sejam os realmente concretizados.

Nossos filhos não são nossos. São de Deus. Somos apenas mordomos e devemos nos alegrar em ver Deus realizando Sua soberana vontade na vida deles.

Um outro detalhe da vida familiar do grande reformador.

Martinho Lutero casou-se com Catalina von Bora, 16 anos mais nova do que ele, e tiveram seis filhos. Uma das características da família de Lutero foi o valor que o casal dava às conversas ao redor da mesa. Diz a história que no lar de Lutero e Catalina as portas sempre estavam abertas para numerosos estudantes que se sentavam ao redor da mesa para aprender do grande teólogo. As “palestras à mesa”, como eram conhecidas aqueles momentos, serviram para fazer muitos discípulos e formar muitos líderes para o protestantismo nascente.

Que belo exemplo do reformador! Sempre mantinha as portas de sua casa para o discipulado. Ser hospitaleiro é uma marca do cristão. A Bíblia diz: “sede hospitaleiros uns para com os outros, sem murmurações (I Pd 4.9).

Faltando apenas nove anos para comemorarmos os 500 anos da Reforma Protestante, pensemos nessas duas lições.

fonte: CLIK FAMÍLIA
aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.
João 4:14

E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.
Apocalipse 22:17
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