Porque os Cristãos Evangélicos hoje estão cada vez mais descredibilizados?

A IGREJA HOJE ESTÁ:

9 de junho de 2012

Cristo, felicidade, e meio ambiente


Cristo, felicidade, e meio ambiente

Mark Greenwood, Abril 2011


Cada família deseja o melhor para seu lar e para todos que ali vivem: Filhos, pais e agregados. Cada família cristã acredita que em Cristo tem o melhor, pois Ele veio para dar vida, vida em abundância, vida plena. No entanto, temos que reconhecer que muito da busca de vida e alegria em nossos lares é moldado por desejos implantados em nossas mentes não por Cristo, mas pela cultura consumista na qual vivemos.
Queira ou não, a felicidade familiar contemporânea é direcionada em grande parte pela filosofia de desenvolvimento econômico seguida pela maioria dos governos, empresas e fábricas do mundo contemporâneo. O combustível deste desenvolvimento são as nossas compras, estimuladas pela propaganda e definidas nas conversas do tipo “mãe, a senhora viu o novo celular que lançaram esta semana?”, “pai, não compra suco não, quero refrigerante”, “amor, vi um televisor tão bonito naquela loja”.
Contudo, este constante desejo por algo dito “melhor” tem as suas consequências para a qualidade de vida em geral no mundo em que vivemos: Tudo que nós consumimos é retirado da terra ou do ar. Tudo que produzimos, especialmente produtos plásticos e sintéticos, tem um certo efeito poluidor. Tudo que descartamos para repor com algo mais novo ocupa um espaço anteriormente ocupado pela criação de Deus.
Existem indícios de que o atual modelo de desenvolvimento dominante não seria sustentável se todo ser humano tivesse acesso a tal desenvolvimento. O que acreditamos ser o melhor para nossos filhos hoje às vezes não vai ser o melhor para o futuro deles. Os bens de consumo que tanto desejamos desfrutar e com os quais queremos abençoar as nossas famílias podem tornar a própria vida no planeta inviável para os nossos descendentes. Para entender isso podemos contemplar o conceito da Pegada Ecológica. A Pegada Ecológica de cada um corresponde a uma estimativa da quantidade de recursos naturais necessária para a produção daquilo que a pessoa consome, e para a absorção dos resíduos gerados. Conforme estatísticas divulgadas pela instituição A Rocha Brasil (em palestra de Gínia Bontempo realizada em abril de 2009 em Fortaleza), caso todos tivéssemos uma Pegada Ecológica como a média da dos norte-americanos seriam necessários cinco planetas Terra para nos sustentar.

Princípios bíblicos

A partir desta observação refletiremos em alguns princípios bíblicos que podem nortear o nosso comportamento cristão em relação ao consumo nos nossos lares e à sustentabilidade da vida. Primeiro vamos pensar no texto de Levítico 25.1-12, no qual encontramos uma ideia surpreendente para nós - que pertencemos a uma cultura de produção e consumo desenfreados -, a ideia de um descanso para a terra a cada sete anos.
Em seu comentário sobre esta passagem o teólogo René Padilla observa no texto “Economía humana y economía del Reino de Dios” o seguinte: “O descanso da terra não é um fim em si mesmo (...) o descanso é (...) em honra ao Senhor (...). Estas leis destacam a importância de cuidar de recursos naturais, representados aqui pela terra. A ideologia do crescimento econômico ilimitado não deixa espaço para repouso, nem para os seres humanos, nem para a criação (...). Estas leis nos convidam a criar uma economia concebida como (...) ‘a economia do suficiente’. A economia do suficiente prioriza um estilo de vida singelo e deixa lugar para o descanso, porque coloca o relacionamento com Deus, com o próximo e com a criação acima de interesses materiais (...) e questiona as premissas fundamentais do sistema econômico atual de que a vida humana consiste na quantidade de bens que se possui”.
O conceito de cuidar da Terra como um ato de honra a Deus nos leva a nossa segunda passagem bíblica: Colossenses 1.15-16. Estes versículos, de uma certa forma, servem como uma contraproposta à motivação normal para nos engajarmos no chamado “desenvolvimento sustentável”. A saber, o desejo de um crescimento humano que leva em conta a preservação de condições para uma vida humana no planeta. James Jones observa em seu livro “Jesus e a Terra” que a declaração de fé em Colossenses conduz “a uma perspectiva elevada da criação. Ela é dádiva de Cristo. Respeitar (...) a terra é respeitar toda a ordem criada. A criação não existe para a raça humana, mas para Cristo. A terra existe para nos deleitarmos nela, para a administrarmos, para a servirmos, mas, acima de tudo, ela existe apenas para Cristo, e não para nós”. Vimos em Levítico então que, não obstante a clara preocupação de Deus com a sustentação da vida humana, a terra não é nossa para desfrutarmos da maneira que bem quisermos. Em Colossenses Paulo nos ensina que a terra é propriedade de Cristo, não nossa, apenas entregue a nós para nela vivermos com plenitude de vida.
Um terceiro conceito bíblico que devemos ter em mente quando pensarmos sobre a sustentabilidade de vida na terra é o de pecado. Precisamos reconhecer que são pecados como ganância, ambição descontrolada, cobiça e insatisfação com a vida que temos que levaram a humanidade a mergulhar tão profundamente na filosofia de consumismo e crescimento econômico infinito.

Consumidor sensatos vivem com uma suficiência sustentável.

O que isso significa em termos práticos para nosso lar? Em primeiro lugar, cada um precisa esforçar-se para reduzir a Pegada Ecológica de sua família, e para isso trazemos duas sugestões de James Jones: Seja um consumidor sensato, e viva com uma suficiência sustentável.
Consumidores sensatos entendem o fato de que para viver precisamos consumir, utilizar recursos da terra. De fato, nem tudo que consumimos no mundo atual é fruto do pecado. Pelo contrário, muitos produtos da vida contemporânea foram desenvolvidos pensando no bem do ser humano e têm nos proporcionado mais saúde, mais lazer, mais educação, mais conhecimento da terra e mais qualidade de vida. Então não devemos entrar em uma melancolia que nos nega a felicidade proveniente de produtos tecnológicos. Por outro lado, precisamos desfrutar de uma maneira responsável, comedida, modesta e contente. Esta percepção é diametralmente oposta a padrões pecaminosos e egoístas de produção e consumo.
Então, “consumidores sensatos” são pessoas que pensam em consumir de uma maneira que tenham um impacto ambiental reduzido e que educam os membros da sua família a fazerem o mesmo. Existem muitas maneiras por meio das quais podemos ser sensatos no consumo: Recusar sacolas plásticas no supermercado, levando sempre bolsas de pano (ou plástico reaproveitado) para carregar as compras, desligar o chuveiro enquanto passamos sabonete no corpo, botar o chuveiro na água fria durante o verão, não jogar nenhum papel fora sem usar os dois lados, usar retornáveis no lugar de descartáveis, pedir embalagem de papel no lugar do isopor ou plástico na padaria e cultivar plantas ou árvores no quintal para purificar o ar degradado. Se você tem carro, deve dar preferência a etanol no tanque e mesmo assim sempre ir de ônibus quando for possível. Na hora de construir podemos erguer casas ventiladas que dispensam tanto o uso do ventilador como do ar-condicionado. Além disso, devemos considerar que as atitudes tomadas como família, junto com os filhos, podem nos proporcionar momentos prazerosos de valorização da terra.
Viver com uma suficiência sustentável implica sempre em perguntar antes de comprar algo se realmente precisamos deste produto. Esta pergunta deve ser realizada na hora de elaborarmos a lista de compras antes de ir ao supermercado, à rua ou ao shopping. Por exemplo, 10 anos atrás ninguém sabia o que era um televisor de tela plana, ou slim. Quando estes aparelhos foram lançados milhares de TVs de tubo (a tradicional) ficaram encostados no país todo. Agora, as grandes corporações lançaram as TVs de LCD e LED, objetos de desejo de muitas pessoas. Por que? O fato é que compramos não porque precisamos (pois ainda podemos assistir programas e DVDs no televisor antigo), mas compramos porque ao entrar nas lojas os produtos estão na nossa frente, sendo apresentados como “ofertas imperdíveis”. Porém, o que realmente é imperdível é a natureza ao nosso redor, que nos sustenta com seus frutos, águas e ar, mas que está se perdendo por ser usada como lixão para televisores de tubo, tela plana e slim que não queremos mais.
Somos confrontados com esta problemática em toda escolha de compra que realizamos. Por que só usamos barbeador descartável? Não faz mais sentido sempre usar a mesma haste e jogar fora só a lâmina? Por que trocar o celular de 1GB que não quebrou e que ainda faz ligações por um de 2GB só porque tem uma oferta melhor? E quando quebra, não é melhor consertar do que jogar fora? O liquidificador está pifando, vai consertar ou comprar um novo? De onde vem a matéria prima para fazer o produto novo? Precisa de uma mesa de cozinha nova, vai ser de plástico ou de madeira reflorestada? O mesmo tipo de pergunta pode ser feita para tudo o que considerarmos “necessário” para a vida do nosso lar.
Atitudes demonstradas diante de prateleiras podem nos dar uma satisfação profunda e alegria para as crianças, pois sabem que estamos contribuindo para um futuro mundo mais seguro e limpo. Precisamos transformar a nossa maneira de enxergar as escolhas de consumo no lar, o que aos poucos fará com que o padrão de consumo se torne naturalmente mais harmonioso com a criação de Deus.

Reduza, reuse, recicle

Os princípios de consumo sensato e suficiência sustentável são resumidos por ambientalistas nos “três Rs”: Reduza, reuse, recicle. Ao seguir este lema torna-se possível cada lar reduzir a sua Pegada Ecológica. Este é um bom lema para ensinar aos filhos. No entanto, precisamos confessar que isso não é fácil, pois somos constantemente bombardeados por incentivos para consumirmos sempre mais. A propaganda milita em nossos sentimentos contra as escolhas sustentáveis que fazemos. Na família, tanto pais quanto filhos, sentem a pressão para comprar e se conformarem. Então precisamos de um quarto R: Recuse. Como o teólogo René Padilla nos adverte, o padrão de vida consumista, integral da nossa cultura familiar contemporânea, é fruto de desejos, ambições e cobiças desenfreados na sociedade humana. Porém Paulo nos adverte: “Não vos conformeis com este século” (Romanos 12.2). Para o crente de hoje isso implica, entre outras coisas, recusar a conformar-se ao padrão de consumo estabelecido na nossa cultura.

Vida plena

Para terminar quero sugerir que, além dos “três (ou quatro) Rs”, possamos pensar em “três Cs” para nortear o padrão de vida nos nossos lares e a educação que damos aos filhos:
Cuide do mundo criado por Deus. Cuide das futuras gerações, que herdarão de nós o mundo do jeito que o deixarmos. Assim seremos bons mordomos e faremos para os outros o que gostaríamos que eles fizessem a nós.
Crie plantas e árvores. Crie produtos artesanais e manufaturados em harmonia com o meio ambiente. Assim refletiremos o caráter do nosso Deus criador.
Celebre a vida plena que é possível em Jesus, que veio para que tenhamos vida em abundância. Assim não mais o nosso consumo será fonte da nossa alegria e suficiência, mas a nossa vida plena em Cristo.

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aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.
João 4:14

E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.
Apocalipse 22:17
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